Finanças

Primeira fase do PDV dos Correios tem adesão de 2 mil funcionários; meta é chegar a 10 mil desligamentos

Até 2027, expectativa é de que demissões voluntárias alcancem 15 mil servidores

Agência O Globo - 04/03/2026
Primeira fase do PDV dos Correios tem adesão de 2 mil funcionários; meta é chegar a 10 mil desligamentos
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A primeira fase do Plano de Desligamento Voluntário (PDV) dos Correios contou com a adesão de cerca de 2 mil funcionários, conforme informações de integrantes do estatal. O número está distante da meta estabelecida para este ano, que prevê 10 mil desligamentos.

Projeção de economia e próximos passos

Até o final de 2027, a expectativa é que o total de desligamentos voluntários alcance 15 mil, o que pode gerar uma economia anual estimada em R$ 2,1 bilhões para a empresa.

Preocupação interna e calendário

Apesar de ser um resultado parcial, há preocupação nos bastidores dos Correios sobre o sucesso da iniciativa, liderada pelo presidente Emmanoel Rondon. O plano atual permanece aberto para adesões até 31 de março. Nesta segunda-feira, cerrou-se o prazo para inscrições de funcionários específicos em deixar a empresa no dia 16 deste mês. Os próximos desligamentos estão previstos para abril e maio.

Regras e regulamentações do PDV

Fontes ligadas ao processo afirmaram que as regras do PDV deste ano são semelhantes às obrigações em 2025, durante a gestão de Fabiano Silva dos Santos, quando 3,6 mil funcionários aderiram ao programa. O valor máximo das indenizações é de R$ 600 mil, o que, segundos interlocutores, pode limitar o interesse de servidores em cargas mais altas. No entanto, confirmam que o modelo atual busca equilibrar os custos do programa dentro do plano de reestruturação do estatal.

Incentivos e estratégias

Para aumentar a atratividade, os Correios lançaram um novo plano de saúde extensivo a familiares dos funcionários. Embora o pagamento seja de responsabilidade dos servidores, o custo é inferior ao de um plano individual. Os observadores também apontam que o fechamento de unidades pode ser utilizado como incentivo à adesão ao PDV.

Outras medidas para reverter prejuízo

O PDV integra um conjunto de ações da direção dos Correios para reverter o prejuízo recorde da empresa. O estado também espera arrecadar R$ 1,5 bilhão com leilões de imóveis e prevê medidas para regularização de dívidas, melhoria da qualidade operacional e estabelecimento de novas parcerias para diversificação de receitas.

Empréstimos e apoio do governo

As iniciativas sendo financiadas por um empréstimo de R$ 12 bilhões obtidos junto a cinco bancos no final do ano passado. O governo já autorizou a concessão de novo crédito de até R$ 8 bilhões em 2026, com aval da União. Como antecipado pela GLOBO, a direção dos Correios deve iniciar negociações com instituições financeiras ainda nesta semana.

No final do ano passado, a empresa, que enfrentava a maior crise de sua história, fechou contrato de R$ 12 bilhões com um grupo de cinco instituições financeiras. O objetivo da gestão de Emmanoel Rondon é alcançar R$ 20 bilhões em crédito para viabilizar ações que revertam o prejuízo do estatal.

O novo empréstimo já foi “pré-aprovado” pelo governo, conforme decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN) na semana passada. O colegiado, composto pelos ministros da Fazenda, do Planejamento e pelo presidente do Banco Central, atualizou o limite para contratação de operações de crédito por órgãos públicos e criou um sublimite específico para as operações dos Correios com garantia da União.