Finanças
Golpe do 'CPF cancelado' faz vítimas acreditarem em irregularidade fiscal grave
Criminosos usam WhatsApp e oferecem falso desconto para regularização, desviando dinheiro das vítimas
Recebeu uma mensagem pelo WhatsApp ameaçando suspensão ou cancelamento do CPF por “irregularidade fiscal grave” ou “dívida ativa da União”? Atenção: trata-se de um golpe. Criminosos estão utilizando essa nova estratégia no ambiente digital, oferecendo falsos descontos para suposta regularização da situação, com o objetivo de roubar dinheiro das vítimas.
Como funciona o golpe
Segundo Fabio Assolini, diretor da Equipe Global de Pesquisa e Análise da Kaspersky, o golpe do 'CPF cancelado' é uma fraude financeira disseminada principalmente pelo WhatsApp. Os golpistas criam contas na plataforma usando números pré-pagos e se passam por órgãos como a Receita Federal. O falso desconto é o atrativo, aliado à ameaça, para pressionar a vítima a agir rapidamente, explorando o medo e o senso de urgência.
As mensagens trazem links que direcionam a vítima ao pagamento via Pix. Os domínios utilizados geralmente contêm termos como “regularizar”, “atendimento”, “Receita Federal”, “atualizar” e “CPF”. Mesmo que a mensagem apresente o número real do CPF e outros dados pessoais, não se deve clicar no link.
Órgãos oficiais não fazem contato por mensagem
A Receita Federal não solicita pagamentos por telefone, e-mail ou aplicativos de mensagem. O órgão reforça que todos os documentos de arrecadação (DARF e DAS) devem ser gerados exclusivamente pelos canais oficiais, disponíveis em www.gov.br/receitafederal.
A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), cujo nome também é frequentemente utilizado pelos golpistas, não realiza contatos pelo WhatsApp. Mensagens legítimas são enviadas somente por SMS, com o remetente 29347. Para consultar, negociar ou pagar débitos, o único canal oficial é o portal regularize.pgfn.gov.br, disponível de segunda a sexta-feira, das 7h às 22h (horário de Brasília), acessível apenas com login e senha da plataforma gov.br.
Automação e uso de IA aumentam o risco
A eficiência do golpe está relacionada ao uso de Inteligência Artificial e ferramentas de automação, que permitem aos criminosos criar mensagens convincentes em grande escala e com baixo custo.
Para dificultar o rastreamento do dinheiro, os golpistas utilizam contas abertas em nomes de laranjas, hospedadas em fintechs com processos de segurança falhos. Essas contas são criadas com documentos manipulados por IA, sem a devida verificação. Após receber os valores via Pix, o dinheiro é rapidamente distribuído para outras contas, dificultando o ressarcimento das vítimas, mesmo após reclamação junto aos bancos.
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