Finanças
Guerra no Irã: dólar volta ao patamar de R$ 5,20 e petróleo dispara
Ouro avança e petróleo salta mais de 8%, com ampliação do conflito. Arábia Saudita fecha sua principal refinaria. No Brasil, ações da Petrobras sobem 4%, na contramão do Ibovespa
O dólar abriu em alta nesta segunda-feira (dia 2) e voltou ao patamar de R$ 5,20 — elevação de 1,3% —, com a intensificação do conflito no Oriente Médio.
Ao longo da semana passada, a moeda americana havia ficado abaixo desse patamar, especialmente refletindo o vaivém das tarifas de Donald Trump. Hoje. voltou a subir com a incerteza em relação à economia global diabte da guerra no Irã e seus possívei desdobramentos.
Israel fez uma ofensiva contra o Líbano nesta manhã, e houve retaliação do Irã, que afirma ter atacado Tel Aviv. Drones iranianos também atingiram o Catar.
Com isso, a moeda americana e o ouro sobem no exterior, enquanto as Bolsas globais recuam. O petróleo disparou, impulsionando as petroleiras na B3. As ações da Petrobras sobem 4%, na contramão do Ibovespa, que recua 0,76%. Demais petroleiras também sobem.
O baril do tipo Brent, referência internacional, era negociado a US$ 79,04 o barril, alta de 8,47%, por volta das 11h30h, depois que o conflito praticamente fechou o Estreito de Ormuz — vital para transporte da commodity. Por ele passam cerca de um quinto do petróleo mundial e volumes significativos de gás.
Além disso, a Arábia Saudita, uma das maiores produtoras mundiais de petróleo, fechou sua principal refinaria, abalando ainda mais o mercado de petróleo. O Irã também é um dos principais produtores e exportadores de petróleo do mundo.
O ritmo "dependerá muito da gravidade da restrição de oferta", disse Ken Medlock, pesquisador de energia do Instituto Baker da Universidade Rice.
Na abertura dos negócios, o Brent chegou a subir 13%, acima de US$ 82, maior preço desde janeiro de 2025.
Nas bolsas globais, os índices estão em queda, com exceção da China:
Bolsas asiáticas:
Tóquio: -1,35%
Hong Kong: - 2,14%
China: +0,38%
Bolsas europeias:
Londres: -1,81%
Paris: -1,57%
Frankfurt: -1,76%
Nos Estados Unidos, os futuros do S&P 500 caíam 1,13%. Os contratos da Nasdaq registram queda de 1,45%, enquanto os futuros do Dow Jones recuam 1,14%.
O conflito crescente no Oriente Médio acrescenta novos obstáculos a mercados que já estavam sob pressão devido às mudanças na política tarifária dos Estados Unidos, às disrupções provocadas pela inteligência artificial e às tensões relacionadas ao crédito privado. Entre as questões mais urgentes para os operadores estão quanto tempo o conflito irá durar e até onde as hostilidades irão se espalhar
— O desfecho final permanece altamente incerto, variando de uma saída política relativamente rápida a uma ampliação regional do conflito — disse Mathieu Racheter, chefe de estratégia de ações do Julius Baer. — Em meio a essa névoa de guerra, os mercados tendem a negociar probabilidades, e não fatos em constante mudança.
Explosões continuam sendo registradas pelo terceiro dia consecutivo no Irã, em Israel e em diferentes pontos do Oriente Médio. Um levantamento divulgado pela rede Al Jazeera indica que, até a manhã desta segunda-feira, ao menos 12 países já haviam sido atingidos direta ou indiretamente pela escalada militar desencadeada após os ataques iniciados por Estados Unidos e Israel contra o território iraniano no sábado.
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