Finanças

Mais de sete mil voos são cancelados no maior caos aéreo desde a pandemia

Papéis da alemã Lufthansa e da dona da British Airways afundam mais de 10%, com receio de limitações a viagens

Agência O Globo - 02/03/2026
Mais de sete mil voos são cancelados no maior caos aéreo desde a pandemia
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Ao menos 1.555 voos foram cancelados no Oriente Médio nesta segunda-feira (2), ampliando o impacto já registrado no fim de semana. Desde sábado, quando a guerra no Irã começou, já são 7.511 decolagens suspensas, no que especialistas classificam como o maior caos aéreo desde a pandemia, segundo o jornal britânico The Guardian. As ações de empresas aéreas e do setor de turismo despencam diante da intensificação do conflito.

No sábado, quase 2.800 voos foram cancelados e, no domingo, mais 3.156 partidas foram suspensas, de acordo com a plataforma de monitoramento FlightAware. Os dados desta segunda-feira foram compilados por analistas da consultoria de aviação Cirium e consideram registros até 10h (horário local). A empresa alerta que os números podem ser ainda maiores, devido à dificuldade de acesso a informações do Irã e dos Emirados Árabes Unidos.

Região do Golfo

Vários aeroportos da região do Golfo ficaram sob ataque quando o Irã lançou mísseis em resposta à ofensiva inicial de sábado, realizada por forças aéreas de Israel e dos Estados Unidos. Por conta disso, o espaço aéreo de diversos países do Oriente Médio foi fechado, incluindo o dos Emirados Árabes, onde está o Aeroporto de Dubai, maior hub da aviação mundial.

A Emirates, maior companhia aérea internacional do mundo, suspendeu operações regulares de e para Dubai até as 15h (horário local) de terça-feira e alertou para possíveis interrupções até quinta-feira.

A Etihad Airways também estendeu os cancelamentos até as 15h de terça-feira, enquanto a Qatar Airways anunciou a suspensão dos voos de e para Doha em razão do fechamento do espaço aéreo do Catar.

Ásia

As interrupções se expandiram para a Ásia. A Cathay Pacific cancelou alguns voos para o Oriente Médio até quinta-feira. Na Índia, as suspensões da IndiGo foram estendidas até terça-feira.

Com o caos aéreo, as ações das companhias aéreas registram quedas expressivas nos principais mercados, em meio ao temor de que o conflito prejudique o setor justamente às vésperas do verão, período crucial para as viagens.

A Lufthansa chegou a recuar 11%, enquanto a controladora da British Airways, International Airlines Group, caiu até 13%. Já a Air France-KLM perdeu 10% nas primeiras horas do pregão, segundo a Bloomberg.

O setor de viagens também foi fortemente afetado. As ações da TUI, maior empresa do segmento na Europa, caíram 8,5%. A rede hoteleira Accor e a empresa de cruzeiros Carnival Corporation também registraram perdas significativas.

A autoridade de aviação civil dos Emirados Árabes Unidos informou que prestou assistência a mais de 20 mil passageiros afetados. Dezenas de milhares de pessoas ficaram retidas numa região que serve como importante conector global, ligando diferentes partes do mundo com apenas uma escala.

Embora o Golfo Pérsico já esteja habituado a interrupções — com restrições frequentes nos céus do Oriente Médio nos últimos dois anos — uma suspensão total nesta escala é inédita.