Finanças

Guerra no Irã provoca engarrafamento de 150 petroleiros no Estreito de Ormuz

Cerca de 20% do consumo global de petróleo passa pelo estreito; preço do barril dispara mais de 7%

Agência O Globo - 02/03/2026
Guerra no Irã provoca engarrafamento de 150 petroleiros no Estreito de Ormuz
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A guerra iniciada no sábado no Irã já está provocando um grande engarrafamento de embarcações no Estreito de Ormuz, principal rota de escoamento de petróleo do Oriente Médio. Segundo estimativas da agência Reuters, baseadas em dados da plataforma MarineTraffic, pelo menos 150 petroleiros, incluindo navios de petróleo bruto e de gás natural liquefeito (GNL), encontram-se parados em mar aberto. Outras dezenas aguardam na outra extremidade do estreito.

Dessas embarcações, muitas estão ancoradas nas zonas econômicas exclusivas (ZEE) de países do Golfo, como Kuwait e Emirados Árabes Unidos. Essas áreas ultrapassam o limite territorial de 12 milhas náuticas e podem chegar a até 24 milhas.

Impacto global

Cerca de 20% do consumo mundial de petróleo, incluindo o produzido por Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Kuwait e Irã, passa por Ormuz, além de grandes volumes de GNL exportados pelo Catar. Com o congestionamento, o preço do barril de petróleo tipo Brent, referência internacional, subiu mais de 7% na manhã desta segunda-feira.

A Reuters informou ainda que pelo menos outros 100 petroleiros permanecem ancorados fora do estreito, ao longo das costas dos Emirados Árabes Unidos e de Omã, e em pontos de fundeio — áreas oficiais de ancoragem para navios —, além de dezenas de navios de carga.

Suspensão de embarques

Após os ataques, diversas companhias e petroleiros suspenderam embarques de petróleo bruto, combustíveis e GNL pelo Estreito de Ormuz. Segundo fontes do setor ouvidas pela agência, Teerã também afirmou ter fechado a navegação no local.

No entanto, o Centro Conjunto de Informações Marítimas, liderado pela Marinha dos Estados Unidos, informou à Reuters que "nenhuma suspensão formal do tráfego pelo estreito foi comunicada internacionalmente por autoridades marítimas reconhecidas".