Finanças
Páscoa deve ser dos 'ovinhos' e dos sabores diferentes
Percebe-se uma diversificação maior de portfólio e um olhar mais estratégico para o custo-benefício de cada produto
Os consumidores podem se preparar para um chocolate ainda mais caro na Páscoa de 2026. Depois de bater um recorde histórico de US$ 12 mil por tonelada em dezembro de 2024, a cotação do cacau recuou para o patamar de US$ 8 mil nos últimos meses, um patamar que segue bem superior à média histórica de US$ 3 mil. E, mesmo assim, esse alívio recente, segundo especialistas, só vai se refletir nos preços da Páscoa de 2027, já que a indústria compra seus insumos com grande antecedência.
A estratégia de indústria e confeiteiros tem sido então inovar nos sabores e apostar em novos formatos para tentar fisgar o consumidor. Não será tarefa fácil: no ano passado, em meio à alta nos preços, foram produzidos 45 milhões de ovos de Páscoa no Brasil, ou 12 milhões a menos do que em 2024, segundo dados da Abicab, associação do setor. A Abicab destaca que, além do cacau, outros custos, como a variação do dólar e a logística para armazenar e transportar produto tão perecível, influenciaram.
Alta de 5% no preço final
Este cenário ditou o comportamento do consumidor:
— Eu ousaria dizer que o mundo é feito de ovinhos e de coelhinhos. As pessoas não param de comprar porque está caro, o que a gente vem percebendo é uma preferência por ovos menores, então eu mantenho minha marca favorita mas compro um tamanho menor — afirma Roberto Kanter, professor de MBA em Gestão Comercial da FGV, que prevê uma alta entre 5% e 10% nos preços dos ovos de Páscoa este ano.
O vice-presidente de Negócios da Cacau Show, Dani Roque, explica que o planejamento de Páscoa começa com 17 meses de antecedência. A empresa projeta um aumento médio de 4% nos preços da Páscoa de 2026, citando uma alta sem precedentes no custo do cacau. A marca vai oferecer produtos entre R$9,99 até R$199,99 e terá lançamentos para este ano como o Ovo Dreams Merengue de Morango, feito com chocolate ao leite e branco com recheio de suspiro e geleia de morango. E o Chef Gold Speculoos, que é um chocolate branco caramelizado e ao leite com biscoito belga e recheio de doce de leite.
Para o professor da FGV, o preço do cacau é apenas um dos fatores que compõem o valor final do produto.
‘Produtos saborizados’
Pesquisa realizada pela Harald, marca de chocolates e coberturas voltada ao mercado profissional, mostrou que o custo dos insumos é a maior preocupação do setor. A Páscoa representa até 40% da renda anual dos confeiteiros e já supera o Natal para mais de 65% deles.
— Percebemos uma diversificação maior de portfólio e um olhar mais estratégico para o custo-benefício de cada produto — afirma Jonatas Fróes, gerente de Comunicação e Marketing da empresa, acrescentando que a própria marca também se adaptou:
— Investimos em produtos saborizados que reduzem a dependência exclusiva do chocolate tradicional e permitem diversificar os cardápios.
Thaise Silva de Mello, que é confeiteira desde 2017, conta que a alta de preços afetou as vendas no ano passado. E não viu trégua em 2026:
— Espero que seja um ano de muitas vendas, mas é um momento difícil por causa do valor do chocolate. Os produtos têm aumentado bastante do ano passado para cá. Não só no chocolate nobre que é o que tem mais cacau, mas também o chocolate em pó, muitos outros produtos derivados do cacau e as embalagens também— afirma a confeiteira, que ajustou o tamanho de alguns itens para manter um preço que considera justo para os clientes.
No varejo, a aposta será em marcas que remetem à nostalgia dos consumidores ou em clássicos da garotada. A Kopenhagen investe no lançamento dos ovos com as Fofoletes e a boneca Cerejinha, brinquedos que foram clássicos dos anos 1980. E também temáticos, como o ovo das séries Wandinha e Emily em Paris.
A Brasil Cacau, que faz parte do mesmo grupo, terá parcerias infantis como a Turma da Mônica.
*Estagiária, sob supervisão de Luciana Rodrigues
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