Finanças
Governo americano diz que tarifa vai subir para 15% 'quando apropriado'
Representante comercial dos EUA afirma que objetivo é "honrar acordos" já fechados, após questionamentos da União Europeia e do Reino Unido
O presidente Donald Trump deverá assinar, nos próximos dias, uma nova ordem executiva elevando a tarifa global cobrada de outros países para 15%. Segundo o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, isso vai acontecer “quando apropriado”. Ele afirmou ainda que o governo busca “continuidade” com as nações que fecharam acordos comerciais.
— Então, neste momento, como discutimos, 10% está em vigor. Haverá uma proclamação elevando para 15% quando apropriado — disse Greer nesta quarta-feira, no programa Surveillance da Bloomberg Television.
Greer procurou esclarecer como a administração cumprirá a ameaça de Trump de elevar a taxa para 15%, o que aumentou a confusão entre os parceiros comerciais dos EUA após a Suprema Corte ter rejeitado suas chamadas “tarifas recíprocas”.
O que já entrou em vigor
Uma tarifa mundial de 10% entrou em vigor na terça-feira e, nas 24 horas seguintes, o governo ofereceu poucos detalhes sobre como cumpriria a ameaça do presidente, ao mesmo tempo em que honraria acordos com importantes parceiros comerciais.
Ao ser questionado se a cobrança mais alta violaria o acordo dos EUA com a União Europeia, Greer disse que falaria posteriormente sobre “como isso poderia acomodar outros países”.
Ele sugeriu repetidamente que as mudanças não resultariam em uma taxa cumulativa maior para determinadas economias com acordos comerciais, um sinal positivo para a UE, o Reino Unido e outros que enfrentariam uma carga tarifária mais elevada sob uma tarifa geral de 15%.
— O objetivo é recriar a política que desenvolvemos ao longo do último ano, dar continuidade e estar em posição de honrar os acordos, mas também ter mecanismos de aplicação disponíveis —disse Greer.
Secretário britânico
O secretário britânico de Negócios e Comércio, Peter Kyle, afirmou nesta quarta-feira que acredita que o arcabouço comercial de Londres “permanece intacto”.
— À medida que avançamos nos próximos dias e obtivermos mais clareza, certamente espero que a tarifa de 10% também permaneça intacta — disse Kyle durante uma coletiva de imprensa em Bruxelas.
Greer afirmou que pode levar “alguns meses” para que o governo restabeleça o regime tarifário de Trump de maneira a preservar os acordos existentes após a derrota judicial. O presidente está impondo sua tarifa básica com base na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que permite aplicar essa taxa por até 150 dias sem aprovação do Congresso.
Autoridades disseram que pretendem usar esse período para conduzir investigações comerciais sob outras autoridades legais, o que abre caminho para tarifas mais permanentes sobre produtos de países e setores específicos, substituindo a tarifa global.
Da mesma forma, Greer afirmou que os EUA buscam manter tarifas sobre produtos chineses dentro de uma faixa de 35% a 50%, dependendo do produto. Espera-se que Trump se reúna com seu homólogo Xi Jinping na China no fim de março ou início de abril para discutir a extensão da trégua tarifária entre as duas nações.
— Esperamos que esse nível permaneça em vigor. Não pretendemos escalar além disso. Pretendemos realmente manter o acordo que tínhamos antes — disse Greer nesta quarta-feira à Fox Business.
Acordo comercial
Greer afirmou à Bloomberg que as conversas continuam sobre o acordo comercial norte-americano conhecido como USMCA e reiterou a frustração de Trump com o acordo que negociou durante seu primeiro mandato. Ele citou reclamações sobre o tratamento do México às empresas de energia dos EUA, regras canadenses sobre laticínios e boicotes canadenses a bebidas alcoólicas americanas, além do risco de transbordo comercial por meio dos dois países.
Mas sinalizou que as discussões visam dois acordos paralelos com os países, e não uma reescrita completa do tratado.
— Estou conduzindo negociações separadas com o Canadá e o México, porque nossos relacionamentos com esses países são muito diferentes, e acredito que, ao longo do próximo ano, teremos conversas — disse. — Talvez tenhamos protocolos separados com o Canadá e o México que anexaremos ao USMCA; precisamos apenas corrigir algumas lacunas.
Greer reconheceu uma reportagem da Bloomberg News de que Trump teria cogitado, em privado, abandonar completamente o pacto, mas minimizou a importância dos comentários.
— Não é segredo. O presidente tem sido muito claro este ano ao dizer que está preocupado com o desempenho do USMCA; ele não acha que devemos simplesmente aprovar automaticamente este acordo — afirmou Greer.
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