Finanças
Setor de móveis vê ambiente protecionista nos EUA mesmo após suspensão de tarifaço
Vendas para o mercado americano caíram 25%, o que equivale a um prejuízo de até US$ 90 milhões
Mesmo com a suspensão da sobretaxa de 40% sobre móveis brasileiros por decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, o setor avalia que o ambiente comercial americano permanece fortemente protecionista. Segundo representantes da indústria, o governo Trump deve buscar novas bases jurídicas para impor tarifas a produtos estrangeiros, incluindo os brasileiros. Apesar do otimismo demonstrado pelo governo brasileiro diante do novo cenário tarifário, o setor moveleiro adota postura de cautela.
Dúvidas persistem
As empresas do setor aguardam maior clareza regulatória quanto ao enquadramento de seus produtos e acompanham a investigação sobre práticas comerciais do Brasil com os EUA, conduzida no âmbito da seção 301. Essa investigação pode abrir caminho para futuras taxações. Em 2023, as vendas do setor para o mercado americano recuaram 25%.
De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel), o impacto econômico já chega a US$ 90 milhões, resultado de cancelamentos de pedidos, renegociações comerciais e aumento dos estoques. Em alguns meses, a retração nas vendas atingiu 28% na comparação anual.
Negociações em compasso de espera
Esse cenário levou empresas a promoverem ajustes operacionais, como a suspensão temporária de turnos nas companhias mais dependentes do mercado americano. Parte das empresas também adotou postura mais conservadora nas negociações. A estimativa é que cerca de 30% das negociações com compradores dos EUA estejam atualmente em compasso de espera.
"Nesse contexto, a entidade, juntamente com seus representantes legais, acompanhará a agenda da visita presidencial e as discussões bilaterais previstas para março nos Estados Unidos, em articulação com o governo brasileiro, contribuindo para o diálogo em torno da previsibilidade regulatória, da segurança jurídica e da avaliação das medidas que impactam a competitividade das exportações de móveis", afirma a Abimóvel.
Reação do setor químico
Já a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) avalia que a decisão da Suprema Corte restabelece condições mais previsíveis ao comércio bilateral e reduz, no curto prazo, as tensões sobre as exportações brasileiras de produtos químicos.
"A medida judicial contribui para aliviar pressões sobre contratos, fluxos logísticos e planejamento produtivo tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, especialmente em um setor caracterizado por forte integração produtiva e investimentos cruzados entre os dois países", destaca nota da Abiquim.
A entidade também observa como será o processo de devolução retroativa dos valores pagos pelos importadores e se o governo Trump adotará novas medidas para recompor a arrecadação com tarifas.
Os Estados Unidos mantêm superávit de cerca de US$ 8 bilhões com o Brasil no setor químico. Mais de 20 empresas químicas instaladas no país são de capital americano, evidenciando a integração das cadeias produtivas, segundo a Abiquim. Há, inclusive, associadas com plantas industriais que destinam cerca de 50% da produção ao mercado americano, fornecendo produtos não fabricados localmente.
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