Finanças

Azul avalia retomar rotas fechadas após sair da recuperação judicial

Companhia deixou de operar em 14 cidades durante processo; 13 ficaram sem opções de voos comerciais

Agência O Globo - 23/02/2026
Azul avalia retomar rotas fechadas após sair da recuperação judicial
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O CEO da Azul Linhas Aéreas, John Rodgerson, afirmou que a companhia pretende reavaliar durante o processo de reestruturação financeira. Na época, a empresa havia informado, em comunicado, que os cortes faziam parte de uma revisão de suas operações para ajustar a malha aérea à oferta e à demanda de passageiros. Segundo o executivo, o fechamento de bases foi uma medida necessária para recompor a saúde financeira da companhia.

— Fechamos várias bases no ano passado, mas nós somos maiores do que éramos em 2025. Sempre vamos buscar mercados onde temos mais rentabilidade. O que estava acontecendo é que nossa paciência com mercado não rentável era mínima. Tivemos que reconstruir nosso balanço. Sim, nós vamos olhar de volta para alguns mercados — disse em coletiva de imprensa nesta segunda-feira.

A Azul Linhas Aéreas anunciou na sexta-feira a conclusão de sua reestruturação financeira e a saída do Chapter 11 nos Estados Unidos, mecanismo equivalente à recuperação judicial. A empresa se tornou a companhia aérea brasileira que permaneceu menos tempo em reestruturação, apenas nove meses, bem menos que suas concorrentes Latam (que levou mais de dois anos) e Gol (pouco mais de um ano).

A saída do processo foi reconhecida após a empresa cumprir todas as condições previstas em seu plano de reorganização. Entre elas estavam o pagamento integral do financiamento obtido durante a recuperação judicial (DIP financing) e a liquidação da oferta pública de ações.

Rodgerson atribuiu a rapidez do processo à clareza das metas e ao alinhamento com os credores:

— O processo foi rápido, porque nós sabíamos exatamente o que queríamos fazer. Nós tivemos metas ao entrar, e essas metas foram alcançadas muito rápido. E não tivemos disputa. Isso é outra coisa que é interessante. Normalmente, há várias disputas entre credores diferentes.

Como resultado, a empresa reduziu cerca de US$ 1,1 bilhão em empréstimos e financiamentos e cortou quase 40% da dívida relacionada ao arrendamento de aeronaves. Também houve queda superior a 50% nos pagamentos anuais de juros. Com a conclusão do plano, o capital social da companhia passou para cerca de R$ 21,76 bilhões.

Por conta desse novo cenário, o CEO descartou fusões e aquisições. Em setembro do ano passado, a Abra, controladora da companhia aérea Gol, informou ao mercado que havia . As duas empresas assinaram um memorando de entendimentos em 15 de janeiro de 2025 para avançar nas discussões rumo a uma combinação de negócios:

— Isso era uma opção antes de entrar, como uma solução dos mesmos problemas. Quando você acumula um monte de dívida, a fusão pode ser benéfica como uma saída diferente. Ao entrar, não há necessidade. A gente não precisa. No nosso balanço, saímos muito menos alavancados do que quando nossos concorrentes saíram (da recuperação judicial). Eu não vejo isso como alguma coisa que está na mesa.

A Azul tem atualmente 175 aeronaves em funcionamento e deve receber dois novos aviões da Airbus até o final do ano. O executivo disse também que a empresa vai focar em “crescer com responsabilidade”:

— Nós estamos recebendo mais ou menos de 5 a 10 aeronaves em um ano. Houve anos que recebemos mais do que 20 aeronaves. Quando você tem mais do que 20 aeronaves, você vai entrar em alguns mercados e não vai dar certo. Nós podemos escolher melhor onde nós podemos alocar nossos recursos. Isso é uma coisa que é importante para nós. Quando você tem 20 aeronaves chegando a qualquer momento, você vai alocando.

Durante a reestruturação, a companhia garantiu cerca de US$ 1,6 bilhão em financiamento junto a credores. O processo incluiu a ampliação da parceria com a United Airlines e a entrada da American Airlines como acionista.

As duas companhias se comprometeram a investir US$ 100 milhões cada, cada uma detendo 8% no capital da aérea brasileira. O , enquanto a entrada da American ainda depende de análise do órgão.

Essa reorganização faz parte de um plano mais amplo anunciado em 2024 para reestruturar parcerias comerciais e financeiras, com potencial de até US$ 950 milhões em investimentos. O objetivo principal do pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos foi reduzir aproximadamente US$ 2 bilhões em dívidas financiadas no país.

O processo envolveu negociações com os principais credores da companhia, incluindo detentores de títulos de dívida emitidos no mercado internacional, a arrendadora de aeronaves AerCap e investidores estratégicos internacionais.