Finanças

Defesa de Vorcaro nega acesso a celular em acareação no Supremo; veja vídeo

Advogado cita risco de vazamentos; acareação revela versões opostas sobre origem de créditos do Banco Master

Agência O Globo - 29/01/2026
Defesa de Vorcaro nega acesso a celular em acareação no Supremo; veja vídeo
Daniel Vorcaro - Foto: Reprodução

Durante acareação realizada no Supremo Tribunal Federal (STF) no fim de 2025, a defesa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, recusou o pedido da Polícia Federal para levantar o sigilo do celular do banqueiro. O advogado Roberto Podval comunicou a negativa à delegada Janaína Palazzo, responsável pela investigação.

— A senhora me pediu se eu poderia abrir o sigilo do celular do Vorcaro e eu disse que não abriria pois eu tinha receio dos vazamentos — afirmou o defensor.

Podval explicou que, embora a delegada tenha garantido sigilo absoluto, optou por não liberar o acesso ao aparelho após perguntas do depoimento terem sido divulgadas previamente.

Na acareação, Vorcaro e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, apresentaram versões conflitantes sobre a origem das carteiras de crédito consideradas problemáticas e adquiridas pelo BRB a partir de 2025.

Vorcaro alegou que o BRB tinha conhecimento de que parte dos créditos não era originada pelo Master, mas sim por uma empresa terceira, a Tirreno. Segundo ele, o modelo de negócios previa a compra de carteiras estruturadas por outros agentes.

— O BRB sabia que aqueles créditos não eram do Master. Isso foi informado desde o início — declarou.

Paulo Henrique Costa, por outro lado, negou a versão. O ex-presidente afirmou que sempre entendeu que os ativos tinham origem no próprio Master e que só posteriormente surgiram dúvidas sobre a procedência das carteiras.

— Em nenhum momento me foi dito que os créditos não eram do Master. Essa informação só apareceu depois, quando começaram os problemas — disse Costa.

Ele acrescentou que as inconsistências na documentação e a menção à Tirreno só vieram à tona meses após o início das operações. “Até então, o entendimento era de que se tratava de créditos do próprio banco, ainda que negociados com terceiros”, completou.

A Polícia Federal explorou as divergências durante a acareação, no contexto da investigação sobre um suposto esquema de negociação de créditos sem lastro. O caso faz parte das apurações que resultaram na liquidação do Banco Master e na constatação de prejuízos bilionários ao sistema financeiro.