Finanças
Busca de Trump por presidente do Fed vira caçada a um unicórnio raro
Presidente dos EUA tenta cumprir vários requisitos ao escolher um substituto para o atual líder do Banco Central americano, Jerome Powell
A busca do presidente Donald Trump por um novo presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) está se transformando em uma caça a um candidato “unicórnio”, difícil de encontrar, à medida que as reações negativas aos seus ataques ao banco central complicam a decisão.
Finanças:
Caso Master:
Trump tenta cumprir vários requisitos ao escolher um substituto para o atual presidente do Fed, Jerome Powell: quer um aliado leal que promova cortes acentuados nos juros, tenha credibilidade tanto em Wall Street quanto junto à base do presidente, e que tenha chances de ser confirmado pelo Senado — tudo isso somado ao fator telegênico e de “perfil ideal para o papel” que Trump costuma buscar.
Esse equilíbrio já delicado ficou ainda mais difícil após uma investigação do Departamento de Justiça contra Powell, que levou um senador republicano-chave a bloquear todas as indicações de Trump para o Fed, criando tensões que as ameaças de Trump envolvendo a Groenlândia podem inflamar ainda mais. E uma verdade incômoda começa a se impor: nenhum dos principais candidatos parece atender plenamente a todos os critérios.
-- Não será fácil encontrar alguém de quem tanto o presidente Trump quanto os mercados de títulos gostem, a menos que ele reconsidere fundamentalmente o que está procurando --- disse Tobin Marcus, chefe de política e política dos EUA da Wolfe Research.
A lista de possíveis nomes de Trump inclui o diretor do Conselho Econômico Nacional, Kevin Hassett; o executivo da BlackRock Rick Rieder; o atual diretor do Fed Christopher Waller; e um ex-diretor da instituição, Kevin Warsh. Segundo pessoas familiarizadas com o assunto, Trump está um tanto frustrado com as opções disponíveis.
O presidente tem reclamado, em conversas privadas e públicas, do conselho que recebeu na última vez, em 2017, quando o então secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, o incentivou a escolher Powell.
Um representante da Casa Branca não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
Hassett era amplamente visto como favorito ao cargo até a semana passada, quando Trump disse que talvez prefira mantê-lo na Casa Branca. Já a candidatura de Rieder vem ganhando força recentemente, em parte porque ele pode ter uma confirmação mais fácil no Senado, embora as exigências de desinvestimento para assumir o cargo possam complicar o processo.
Processo de busca
O secretário do Tesouro, Scott Bessent — que lidera o processo de seleção — tem sido cuidadoso para não demonstrar publicamente preferência por nenhum nome.
Trump tem sido “muito deliberado” ao fazer “exatamente as perguntas que acho que você, eu e os mercados gostaríamos que fossem feitas”, disse Bessent a Larry Kudlow na sexta-feira, na Fox Business Network.
-- Quem consegue trazer o conselho junto com ele? Quem tem a gravidade necessária? -- afirmou Bessent. --- Quem vai ter uma mente aberta, ao estilo Greenspan, capaz de considerar que podemos estar entrando em um boom de produtividade como o dos anos 1990, e não simplesmente pisar no freio porque ficou alarmado com um número alto de PIB?
O Departamento do Tesouro também não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
Outro fator imprevisível é o próprio Powell. O presidente do Fed ainda não disse se deixará o cargo em maio, quando termina seu mandato como presidente — como é costume — ou se permanecerá para cumprir parte ou a totalidade do restante de seu mandato como membro do Conselho de Governadores, que vai até 2028.
Powell aproveitou a intimação do Departamento de Justiça para emitir, no início deste mês, uma declaração pública extraordinária, afirmando que se trata de um “pretexto” na tentativa de Trump de forçar juros mais baixos. Thom Tillis, senador republicano da Carolina do Norte e membro do poderoso Comitê Bancário do Senado, disse que não votará para avançar com nenhuma nomeação de Trump para o banco central até que a questão seja resolvida.
Os investidores têm encarado a turbulência com relativa calma, apostando que o governo não chegará ao ponto de indiciar Powell por um depoimento que ele deu ao Congresso em 2025 sobre um projeto de reforma de um prédio do Fed. Jeanine Pirro, procuradora dos EUA para o Distrito de Columbia, que emitiu as intimações, afirmou — em sinal de possível distensão — que está buscando apenas documentação junto ao Fed.
Mas o fim de semana tumultuado do presidente, no qual anunciou uma série de novas tarifas contra aliados europeus próximos devido à resistência deles ao seu plano de adquirir a Groenlândia de outro membro da Otan, serve como lembrete de que Trump frequentemente avança com medidas e ameaças que antes poderiam parecer fantasiosas.
O momento do anúncio de Trump sobre sua escolha para a presidência do Fed ainda não está claro. O presidente disse a repórteres na noite de segunda-feira, na Flórida, que já sabe quem quer e que “anunciará em algum momento”, enquanto Bessent afirmou a jornalistas em Davos, na terça-feira, que a decisão pode vir “talvez já na próxima semana”. Trump deve partir para o encontro na Suíça na noite de terça-feira.
Mais lidas
-
1DIREITOS TRABALHISTAS
Quando é o quinto dia útil de janeiro de 2026? Veja as datas de pagamento
-
2COPA SÃO PAULO DE FUTEBOL JÚNIOR
Palmeiras estreia com vitória polêmica sobre Monte Roraima na Copinha; Coritiba goleia por 9 a 0
-
3BALANÇO DO RECESSO JUDICIAL
Violência contra a mulher representa quase metade dos processos no Plantão Judiciário durante recesso
-
4TRIBUTOS MUNICIPAIS
IPTU 2026: saiba quais imóveis no Rio de Janeiro ficam isentos do imposto neste ano
-
5TRIBUTOS MUNICIPAIS
IPTU 2026: saiba quais imóveis no Rio de Janeiro terão isenção do imposto