Finanças
Já consumiu carne e leite de búfala? Veja por que rebanho cresce no país e produtores estão otimistas
Pesquisas voltadas ao melhoramento genético e ações de qualificação da produção, como o selo de pureza no caso dos derivados de leite de búfala, emitido pela ABCB, fortalecem o setor
Produtos lácteos de búfala e cortes especiais da carne do animal começam a ganhar espaço nas prateleiras dos supermercados brasileiros. Mas os criadores de búfalos de diferentes regiões do Brasil querem mais e projetam continuar ganhando mercado este ano. Há movimentos que justificam o otimismo, porém também há desafios pela frente.
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“Esperamos seguir nesse ciclo de crescimento. Mas precisamos organizar melhor a cadeia de produção para atender a demanda”, afirma Simon Riess, presidente da Associação Brasileira de Criadores de Búfalos (ABCB).
O rebanho bubalino brasileiro registrou um crescimento de 20% na última década, e a produção de carne e de leite tem aumentado no mesmo ritmo, segundo Riess.
Muito além da fruta:
Em lácteos, a entrada de grandes empresas e o lançamento de novos produtos têm fortalecido o segmento. O principal ganho de mercado acontece no Sul e no Sudeste do país, onde a industrialização do leite de búfala avança.
De acordo com dados da ABCB, em 2024, laticínios receberam cerca de 20,4 milhões de litros de leite de búfala no Brasil, quase 20 vezes a quantidade coletada em 2001, que foi de 1 milhão de litros. O aumento médio anual na captação desde então tem sido de 13,67%, estima a entidade, que não tem dados consolidados sobre a produção de derivados do leite de búfala no Brasil.
Mas o aumento na oferta e a diversificação de produtos é evidente. Basta olhar nas gôndolas. Um dos resultados dessa diversificação é o primeiro leite de búfala em pó no Brasil, lançado pela Bom Destino, de Oliveira (MG). A iniciativa, segundo a empresa, visa ampliar as possibilidades de industrialização e diversificação de produtos derivados de búfala.
Doces borbulhas:
A empresa já tem no portfólio outros produtos derivados de leite de búfala, como queijos, manteigas, creme de leite e versões zero lactose.
Outro movimento importante recente foi a aquisição da Levitare, de Sete Barras (SP), pelo tradicional Laticínios Tirolez, em outubro passado. Para Simon Riess, o negócio sinaliza o interesse de grandes players do setor lácteo pela cadeia do leite de búfala e abre novas perspectivas de escala e mercado.
Uma boa notícia para produtores como Wellington Paris, de Itaperuçu (PR), no Vale do Ribeira. Ele, que se define como “apaixonado pelos búfalos”, começou a criação há quatro anos. “São animais extremamente dóceis” , diz.
Chafé’:
Com um rebanho de 55 matrizes, ele faz um escalonamento de inseminação dos animais para ter produção de leite o ano todo e aponta como principal desafio a redução do custo de produção para aumentar a rentabilidade.
O leite produzido por Paris é destinado à produção de mussarela de búfala, manteiga e outros produtos da Levitare.
O segmento de carne de búfalo também cresce, segundo o presidente da ABCB, mas encontra alguns obstáculos no caminho. Um deles é que a comercialização da carne de búfalo com essa nomenclatura ainda não é uma realidade no país.
Conheça a iguaria:
“Temos que desbloquear nas pessoas a ideia de que a carne de búfalo é mais dura por se tratar de um animal rústico e educar culturalmente o consumidor para ele entender que é uma carne saudável, saborosa e sustentável”, afirma Simon Riess.
Para a entidade, pesquisas voltadas ao melhoramento genético e ações de qualificação da produção, como o selo de pureza no caso dos derivados de leite de búfala, emitido pela ABCB, fortalecem o setor. Além disso, produtores e indústria concentram esforços no lançamento de novos produtos, entre eles a carne premium.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam para um rebanho de 1,8 milhão de cabeças de búfalos no país em 2024. Desse total, 775 mil cabeças estão no Pará, o principal Estado produtor. Na região Norte, o rebanho é voltado à produção de carne, que acaba chegando ao consumidor como carne bovina, segundo Riess.
Na avaliação do dirigente, o Rio Grande do Sul tem o melhor know how na produção e desenvolvimento de mercado para a carne de búfalo.
O produtor Rogério Gonçalves, de Rosário do Sul (RS), atua com a bubalinocultura desde a década de 1970. Ele lançou, no ano passado, a Baby Buf Premium, linha de cortes especiais de carne de búfalo. “É uma alternativa diferente, com cortes nobres direto do Pampa Gaúcho”, ressalta. Depois do lançamento em Caxias do Sul e Porto Alegre, a marca busca se consolidar em municípios da Serra Gaúcha.
“Estamos prospectando mercado para, no futuro, levar o produto para outros estados”, conta. O portfólio inclui ainda hambúrgueres e linguiças com as partes de carne com menor valor agregado.
Segundo Gonçalves, a carne tem como características a suculência e a maciez, além de ter menos colesterol e gordura. Entre as práticas adotadas para garantir a qualidade dos produtos está o abate dos animais jovens, antes dos 20 ou 22 meses, acrescenta, realizado em um frigorífico da região.
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