Finanças
'Número preliminar' indica déficit de 0,1% do PIB em 2025, afirma Haddad
Valor se aproxima da meta de déficit zero; tolerância permite rombo de até 0,25% do Produto Interno Bruto
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira que os cálculos preliminares do governo apontam que o déficit primário do governo central em 2025 ficou em torno de 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB). O resultado está dentro da margem de tolerância da meta fiscal definida para o ano.
“Olha, pelo terceiro ano consecutivo, estamos cumprindo a meta de primário. O número é preliminar, mas devemos ter terminado o ano com 0,1% de déficit”, declarou o ministro.
Pelas regras fiscais atuais, o governo pode fechar o ano com resultado neutro ou com déficit de até 0,25% do PIB sem descumprir a meta. Na prática, o déficit primário ocorre quando o governo gasta mais do que arrecada, desconsiderando os juros da dívida pública.
Haddad explicou que o resultado de 0,1% considera apenas as despesas contabilizadas na contabilidade fiscal regular. Segundo ele, ao incorporar gastos autorizados por decisões judiciais, como precatórios — dívidas da União reconhecidas pela Justiça — e indenizações a aposentados, o déficit sobe para cerca de 0,48% do PIB.
“Se considerarmos aquilo que o Congresso excepcionalizou, ou a Justiça, no caso da indenização do INSS, estamos falando de algo em torno de 0,17% de déficit. Já considerando precatórios, ou seja, o pagamento do calote que o Bolsonaro deu, vamos fechar o ano em 0,48% de débito”, afirmou.
De acordo com o ministro, mesmo com a inclusão desses valores, o governo mantém uma trajetória consistente de ajuste fiscal nos últimos anos. Os dados oficiais do resultado fiscal de 2025 ainda serão divulgados pelo Tesouro Nacional e pelo Banco Central no fim de janeiro. Até lá, os números apresentados são estimativas iniciais.
Em conversa com jornalistas, Haddad também comentou projeções recentes do Tesouro Nacional que apontam uma piora na trajetória da dívida pública. Segundo ele, o principal fator de pressão sobre o endividamento não é o desempenho do resultado primário, mas o patamar elevado dos juros reais no país.
“Hoje, o que está afetando a dívida pública é mais o juro real do que propriamente o resultado primário. O resultado primário está consistentemente sendo cumprido e vamos continuar nessa atuada”, declarou.
Segundo o ministro, o governo continuará elevando gradualmente as exigências fiscais nos próximos anos, por meio da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), com o objetivo de garantir previsibilidade, credibilidade e sustentabilidade às contas públicas.
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