Finanças
Governo Lula avalia efeitos de tarifa de 25% dos EUA sobre parceiros do Irã
Presidente americano não detalhou critérios nem data de início para a sobretaxa
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva está analisando os possíveis impactos da medida anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que prevê a imposição de tarifas de 25% a qualquer país que mantenha relações comerciais com o Irã. O anúncio, feito nesta segunda-feira por Trump, ocorre em meio ao aumento da pressão internacional sobre Teerã devido à repressão contra protestos antigovernamentais.
“Com efeito imediato, qualquer país que faça negócios com a República Islâmica do Irã pagará tarifas de 25% sobre qualquer transação que realize com os Estados Unidos. Esta ordem é definitiva e conclusiva”, declarou Trump em sua rede Truth Social.
Segundo integrantes do Itamaraty, ainda não é possível mensurar o impacto da medida para o Brasil, já que o anúncio foi feito apenas por meio de rede social e sem detalhes sobre critérios ou data de início da vigência da sobretaxa. O governo brasileiro informou que irá monitorar os desdobramentos e buscar informações junto à Casa Branca sobre como as tarifas serão implementadas na prática.
O Irã é considerado um dos principais parceiros comerciais do Brasil no Oriente Médio. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços apontam que a corrente de comércio entre os dois países é de US$ 3 bilhões, com superávit de US$ 2,8 bilhões para o Brasil. As importações brasileiras provenientes do Irã somam US$ 84,6 milhões. O Brasil exporta principalmente milho (67,9%) e soja (19,3%) para a República Islâmica, enquanto importa adubo (79%), frutas e nozes (11%). Atualmente, o Irã ocupa a 31ª posição no ranking de principais destinos das exportações brasileiras e a 82ª entre os países de origem das importações.
Em 2024, as exportações brasileiras para Teerã consolidaram o Irã como o quinto maior destino das vendas nacionais na região, conforme dados do Ministério da Indústria e Comércio.
Desde 2024, o Irã integra o Brics, bloco formado por Brasil, China, Rússia, Índia e África do Sul, e que atualmente também inclui Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia e Indonésia.
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