Finanças
Ex-presidentes do Fed criticam investigação sobre Powell e alertam para ameaça à independência do banco central
Janet Yellen, Bernanke e Greenspan assinam comunicado que condena inquérito criminal do Departamento de Justiça. Nota também conta com apoio de ex-secretários do Tesouro dos EUA.
Um grupo formado por ex-presidentes do Federal Reserve (Fed), ex-secretários do Tesouro dos Estados Unidos e economistas renomados divulgou nesta segunda-feira um comunicado em defesa do atual presidente do banco central americano, Jerome Powell. O grupo alerta para riscos à economia do país após a abertura de uma investigação criminal pelo Departamento de Justiça (DoJ), classificando o movimento como uma "tentativa inédita de usar ataques judiciais para minar a independência" do Fed.
Ativos reagem:
Retrospectiva:
O documento é assinado pelos três últimos ex-presidentes do Fed — Janet Yellen, Ben Bernanke e Alan Greenspan — além de ex-secretários do Tesouro como Henry Paulson, Timothy Geithner, Robert Rubin e Jacob Lew, e economistas como Kenneth Rogoff e Glenn Hubbard.
"É assim que a política monetária é conduzida em países emergentes com instituições fracas, com consequências altamente negativas para a inflação e para o funcionamento da economia como um todo", diz o comunicado. "Isso não tem lugar nos Estados Unidos, cuja maior força é o Estado de Direito, base do sucesso econômico do país."
No domingo, Powell confirmou que foi notificado pelo escritório do procurador federal em Washington de que é alvo de uma investigação relacionada a declarações feitas ao Congresso em junho do ano passado. Na ocasião, ele respondeu a questionamentos de senadores sobre os custos do amplo projeto de reforma dos prédios do Fed, em Washington.
O tema vinha sendo explorado por críticos de Powell, incluindo o ex-presidente Donald Trump, que apontaram estouros de orçamento para intensificar ataques à sua gestão.
'Ele prejudicou muita gente':
Powell classificou a investigação como “sem precedentes” e afirmou acreditar que as acusações servem como pretexto para pressioná-lo ou até removê-lo do cargo, em meio às críticas recorrentes do governo à política de juros do Fed. Segundo ele, o episódio deve ser entendido no “contexto mais amplo de ameaças e pressão contínua da administração”.
Trump, que há meses cobra cortes mais agressivos nos juros para reduzir o custo da dívida pública e estimular a economia, negou envolvimento direto na investigação. Em entrevista à NBC News, afirmou não ter conhecimento do caso e disse que as intimações do DoJ não têm relação com a política monetária. Ainda assim, o republicano voltou a criticar Powell publicamente, alegando que o presidente do Fed “prejudicou muita gente”.
Disputa acirrada:
Jonathan Kantner, ex-assistente do procurador-geral dos EUA, declarou à CNBC que, caso fique comprovado que a investigação busca remover Powell do cargo, o episódio pode desencadear disputas judiciais e gerar instabilidade nos mercados.
No comunicado, os ex-dirigentes reforçam que a independência do Fed, assim como a confiança pública nessa autonomia, é fundamental para o cumprimento dos objetivos definidos pelo Congresso: estabilidade de preços, pleno emprego e taxas de juros moderadas no longo prazo.
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