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Nem atletas escapam da perda muscular: por que correr e pedalar não substituem a musculação

Estudos identificam diferenças entre atletas de resistência e força.

Esporte News Mundo 26/10/2026
Nem atletas escapam da perda muscular: por que correr e pedalar não substituem a musculação
Estudo revela que correr e pedalar não preservam a força muscular como a musculação. - Foto: Divulgação

Correr maratonas, pedalar longas distâncias ou nadar regularmente são sinais de bom condicionamento cardiovascular, mas não garantem, isoladamente, a preservação da força muscular ao longo da vida. Pesquisas com atletas jovens e veteranos mostram que as diferentes modalidades produzem adaptações específicas no organismo. Para quem dedica a maior parte dos treinamentos aos exercícios aeróbicos, incluir atividades de fortalecimento pode ser importante tanto para o desempenho esportivo quanto para o envelhecimento saudável.

Um estudo científico publicado em 2023 comparou a composição corporal de atletas de modalidades de força, velocidade e resistência. Entre os veteranos, os praticantes de modalidades de força apresentaram maior índice de massa magra nos membros do que os atletas de resistência. O resultado não significa que correr ou pedalar provoque perda muscular, mas indica que o condicionamento aeróbico e o desenvolvimento da musculatura não são equivalentes.

Segundo o médico angiologista Álvaro Pereira, especialista em fotobiomodulação, essa distinção merece atenção especialmente com o avanço da idade.

“Uma pessoa pode correr longas distâncias, pedalar durante horas e apresentar excelente resistência física, mas isso não significa que esteja preservando toda a sua força muscular. Com o envelhecimento, é fundamental combinar os exercícios aeróbicos com atividades de fortalecimento, especialmente a musculação”, explica.

O treinamento de resistência melhora a capacidade de sustentar esforços prolongados e provoca adaptações cardiovasculares e metabólicas. Já a musculação e outros exercícios resistidos oferecem estímulos específicos para manutenção e desenvolvimento da força.

Essas capacidades podem se complementar. Um corredor, por exemplo, pode apresentar excelente resistência cardiorrespiratória e ainda ter espaço para melhorar força e potência muscular.

O tema está relacionado à sarcopenia, condição caracterizada principalmente pela redução da força e associada à perda de quantidade ou qualidade muscular. A preocupação aumenta com o envelhecimento, embora atletas fisicamente ativos também possam apresentar alterações nessas capacidades.

Em 2024, uma pesquisa com 555 ciclistas homens acima dos 35 anos examinou hábitos e dificuldades relacionados ao treinamento de força. Os participantes mencionaram benefícios para o desempenho, a prevenção de lesões e a saúde, mas também relataram dificuldades para conciliar a musculação com o calendário de treinos.

Recuperação não substitui fortalecimento

Além da preparação física e da alimentação adequada, recursos complementares vêm sendo estudados em contextos de recuperação e reabilitação muscular.

Um deles é a fotobiomodulação, técnica que utiliza fontes de luz, como LEDs, para atuar em processos biológicos associados à resposta dos tecidos. Sua eficácia depende da indicação, do protocolo e do resultado analisado, e não deve ser considerada uma solução comprovada para prevenir sarcopenia.

“É importante entender que nenhum recurso complementar substitui o treinamento de força. A fotobiomodulação pode integrar estratégias de recuperação e reabilitação, especialmente quando existem limitações físicas, mas preservar os músculos exige um conjunto de cuidados. Para quem pratica esportes, o fortalecimento muscular também é fundamental para manter o desempenho e a funcionalidade com o passar dos anos”, conclui o especialista angiologista formado pela FMUSP em 1978, com residência em Cirurgia Vascular no HCFMUSP, Doutorado em Cirurgia Vascular na Divisão de Bioengenharia do INCOR – HCFMUSP, pós-doutorado no B&H Hospital – Harvard. Diretor clínico da Cosmedical/ Sportlux.

A Organização Mundial da Saúde recomenda que adultos realizem atividades de fortalecimento dos principais grupos musculares em pelo menos dois dias da semana, além dos exercícios aeróbicos.