Esportes
Sócios do Vasco aprovam venda de 90% da SAF para Marcos Lamacchia
Os sócios do Vasco aprovaram, com 90% dos votos favoráveis, a venda de 90% da SAF do clube para a Almirante Participações, empresa ligada a Marcos Lamacchia.
Os sócios do Vasco da Gama aprovaram, nesta sexta-feira (23), a venda de 90% das ações da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do clube para a Almirante Participações, empresa ligada ao empresário Marcos Lamacchia. A votação terminou com 90% dos votos favoráveis à proposta, representando um passo decisivo para a mudança de controle do futebol vascaíno.
A Assembleia Geral Extraordinária (AGE) foi realizada em formato híbrido, com participação presencial na sede náutica do clube, na Lagoa Rodrigo de Freitas, na Zona Sul do Rio de Janeiro, e votação pela internet. O resultado encerra uma das etapas mais importantes do processo de negociação, mas a conclusão definitiva da operação ainda depende do cumprimento de exigências regulatórias e jurídicas.
Aprovação abre caminho para mudança de controle
Além da transferência de 90% das ações da SAF, os associados aprovaram a alteração do estatuto social do Vasco. A mudança reduz de 20% para 10% a participação mínima do clube associativo na empresa responsável pelo futebol profissional.
Com a alteração, a Almirante Participações poderá assumir o controle majoritário da SAF, enquanto o clube social preservará uma participação minoritária de 10%. A decisão dos sócios representa a última etapa interna necessária para viabilizar a venda, após o avanço da proposta nas instâncias administrativas do Vasco.
A negociação faz parte do processo de reorganização financeira e administrativa do clube, que busca estabelecer uma estrutura capaz de financiar o futebol, cumprir compromissos financeiros e ampliar os investimentos em infraestrutura.
Investimentos previstos ultrapassam R$ 2 bilhões
A proposta apresentada pela Almirante Participações prevê investimentos significativos no futebol e na estrutura do Vasco. Entre os principais compromissos está o aporte mínimo de R$ 500 milhões destinado exclusivamente ao departamento de futebol, distribuído em cinco parcelas anuais de R$ 100 milhões, corrigidas pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).
O plano também estabelece investimentos de pelo menos R$ 120 milhões no centro de treinamento da equipe profissional, ao longo de até dez anos, além de R$ 30 milhões destinados à infraestrutura das categorias de base, com prazo de dois anos.
Outro ponto relevante é a previsão de recursos adicionais para cobrir déficits operacionais e atender às obrigações financeiras relacionadas à recuperação judicial, às dívidas tributárias e a outros compromissos da SAF. Considerando os aportes previstos, os investimentos em estrutura e os recursos necessários para cobrir obrigações financeiras, a operação pode superar R$ 2 bilhões.
O objetivo é proporcionar maior estabilidade financeira ao clube e criar condições para o desenvolvimento esportivo. Entretanto, o impacto dos investimentos dependerá da execução do contrato e do cumprimento dos compromissos assumidos pelo grupo comprador.
Investigação regulatória ainda precisa ser concluída
Apesar da aprovação dos associados, Marcos Lamacchia não assume automaticamente o controle da SAF. A conclusão do negócio depende de outras exigências, incluindo a análise da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf), ligada ao sistema de fiscalização da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
O órgão investiga um possível conflito de interesses relacionado ao fato de Lamacchia ser enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras. As regras de integridade esportiva buscam impedir que uma mesma pessoa ou grupo exerça influência significativa sobre clubes diferentes de maneira incompatível com as normas do futebol.
Enquanto a análise está em andamento, Vasco e Palmeiras estão impedidos de realizar negócios entre si. A operação também está sujeita ao cumprimento das demais condições contratuais e às aprovações necessárias para sua formalização.
Contrato prevê proteção financeira e manutenção de São Januário
O acordo estabelece mecanismos para proteger o Vasco diante de possíveis descumprimentos das obrigações financeiras. Entre as medidas previstas estão garantias relacionadas às dívidas e a responsabilidade por aportes adicionais caso os recursos disponíveis não sejam suficientes para atender aos compromissos estabelecidos.
O contrato também prevê restrições à distribuição de dividendos e à venda da participação acionária durante dez anos, conforme as condições acordadas. A intenção é favorecer o reinvestimento dos recursos gerados pela operação e dar maior previsibilidade à administração do futebol.
São Januário continuará ligado ao clube associativo, com previsão de utilização prioritária pelo futebol profissional até 31 de dezembro de 2030, mediante pagamento anual de R$ 3 milhões. O estádio não faz parte da venda da SAF.
Com a aprovação dos sócios, o Vasco avança em uma transformação importante de sua estrutura empresarial. A expectativa é que a entrada do novo investidor amplie a capacidade de investimento e contribua para a recuperação financeira do clube. A efetivação da mudança, contudo, ainda depende da conclusão das etapas regulatórias e jurídicas.
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