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Vestiário do Corinthians fecha as portas em meio à crise

O Corinthians vive uma crise interna com desgaste entre atletas e o presidente Osmar Stabile, cobranças por pagamentos atrasados e vazamentos de informações.

Esporte News Mundo 23/10/2026
Vestiário do Corinthians fecha as portas em meio à crise
Tensão no vestiário do Corinthians em meio a crise interna entre jogadores e diretoria. - Foto: Gustavo Vasco / Corinthians

O Corinthians atravessa um momento de instabilidade que vai além dos resultados negativos dentro de campo. O desgaste entre jogadores e dirigentes, as cobranças por pagamentos atrasados e a preocupação com o vazamento de informações internas contribuíram para aumentar a tensão no CT Joaquim Grava. Diante desse cenário, o elenco passou a defender medidas para preservar o ambiente do vestiário e reduzir a circulação de pessoas nos dias de jogos.

A situação também ampliou o distanciamento entre parte dos atletas e o presidente Osmar Stabile. Os jogadores pediram que o acesso ao vestiário seja restrito aos profissionais diretamente envolvidos nas partidas, em uma tentativa de proteger o grupo das pressões externas e evitar novas exposições dos conflitos internos.

Desgaste com Osmar Stabile aumenta

A relação entre o elenco e o presidente Osmar Stabile enfrenta dificuldades relacionadas à comunicação, à convivência no dia a dia e à regularização de pagamentos atrasados. De acordo com relatos ouvidos pelo ge, promessas que não teriam sido cumpridas e comentários considerados inadequados também contribuíram para o descontentamento dos jogadores.

O movimento para restringir o acesso ao vestiário foi interpretado por pessoas próximas ao clube como um possível recado à presidência. Stabile, por sua vez, já vinha diminuindo sua presença no local nos compromissos mais recentes.

Em resposta à reportagem, o Corinthians afirmou que o acesso ao vestiário em dias de jogos é limitado às pessoas ligadas ao departamento de futebol e que estão trabalhando na partida, incluindo presidente, atletas, comissão técnica e integrantes do staff.

O episódio evidencia a dificuldade de manter um ambiente de confiança em meio à pressão por resultados. Para os jogadores, preservar a rotina interna e reduzir interferências externas tornou-se uma preocupação adicional em uma temporada marcada por frustrações esportivas.

Rodrigo Garro cobra mudanças e vazamentos geram incômodo

O meio-campista Rodrigo Garro está entre os jogadores que mais cobram mudanças no funcionamento interno do clube. O argentino costuma manifestar insatisfação quando identifica situações que considera incompatíveis com o padrão profissional esperado.

As avaliações sobre sua postura, porém, não são unânimes. Enquanto alguns funcionários enxergam as cobranças como uma demonstração de profissionalismo, outros consideram que o jogador pode ultrapassar os limites e contribuir para aumentar a tensão no ambiente de trabalho.

Outro episódio que provocou desconforto envolveu uma discussão entre Matheuzinho e Gustavo Henrique no intervalo do clássico contra o Palmeiras. O lateral-direito cobrou os companheiros, o zagueiro reagiu e o desentendimento precisou da intervenção do técnico interino William Batista.

O vazamento da discussão para a imprensa incomodou Garro, de acordo com reportagens. O caso reforçou a preocupação de parte do elenco com a exposição de conflitos internos em um momento no qual os jogadores tentam preservar o grupo e evitar novas crises.

Demissão de Fernando Diniz amplia o desgaste

A saída de Fernando Diniz também contribuiu para o clima de insatisfação. Parte dos jogadores era contrária à demissão do treinador, e o zagueiro Gabriel Paulista chegou a defender publicamente os integrantes da comissão técnica, afirmando que eles estavam entre os menos culpados pela sequência negativa.

A divergência em torno da mudança no comando técnico aumentou a distância entre alguns atletas e a direção. Além disso, há jogadores que demonstram incômodo com a presença do vice-presidente Armando Mendonça, especialmente durante as viagens da equipe.

O dirigente é réu em um processo que investiga suspeitas de irregularidades envolvendo a gestão de materiais esportivos fornecidos pela Nike. Esse contexto também contribui para a insatisfação relatada nos bastidores.

A demissão do executivo Marcelo Paz foi outro episódio que expôs diferenças dentro do elenco. Parte dos jogadores considerava que o dirigente não defendia suficientemente os interesses do grupo, principalmente em relação aos atrasos de pagamentos. Outros, por sua vez, avaliavam positivamente seu trabalho e mantinham uma relação respeitosa com ele.

Apesar da tensão, funcionários do departamento de futebol ouvidos pelo ge afirmam que não existe um racha generalizado no elenco. O ambiente, contudo, é considerado delicado, e a tentativa de blindar o vestiário representa uma forma de reduzir a exposição do grupo.