Esportes
Regata Santos-Rio larga com vento leste, ondas de proa e 35 veleiros na disputa
Travessia de aproximadamente 200 milhas náuticas abre o Brasileiro de Oceano.
A 76ª Regata Santos-Rio começou às 12h10 desta quinta-feira (22), com 35 embarcações enfrentando vento leste logo após deixarem a Baía de Santos. A condição colocou as tripulações em contravento, com ondas de proa e necessidade de realizar ajustes constantes de navegação no início de uma travessia de aproximadamente 200 milhas náuticas até a região da Ilha Rasa, no Rio de Janeiro.
A previsão é de que o vento leste permaneça pelo menos até a altura de Ilhabela. Dessa forma, a escolha dos bordos e a capacidade de manter o desempenho das embarcações diante das ondas estarão entre os primeiros desafios da competição.
A prova abre o Campeonato Brasileiro de Oceano de 2026, que reúne 48 barcos inscritos. Outros 13 veleiros se juntarão às disputas no 57º Circuito Rio, entre 30 de outubro e 2 de novembro.
Uma das disputas mais aguardadas é a da ORC, classe que reúne barcos de diferentes características técnicas e utiliza o sistema de rating para estabelecer a classificação em tempo corrigido.
O Magia IV terá Torben Grael, Andrea Grael, Martine Grael, Marcelo Ferreira e Duda Serrão entre seus tripulantes.
Torben, dono de cinco medalhas olímpicas, tenta conquistar pela nona vez a Santos-Rio no tempo corrigido. O velejador também soma sete Fitas Azuis, distinção concedida ao barco que completa a travessia em primeiro lugar no tempo real.
Na mesma classe, o Crioula 52, de Eduardo Plass, entra na competição como atual campeão brasileiro da ORC.
O projeto Phytoervas 4Z, de Marcelo Bellotti, também está entre os destaques. Vencedora da Santos-Rio e do Circuito Rio de 2025, a equipe estreia o Onda Phytoervas, embarcação que conquistou o título da Super 40 na Semana Internacional de Vela de Ilhabela deste ano.
“A previsão indica uma regata muito dura, que exige cuidado na preparação do barco e dos equipamentos. Estamos animados para encarar esse desafio e tentar defender o título. Ainda temos bastante a aprender sobre o Onda Phytoervas, mas ele é muito parecido com o barco com que já velejamos, e isso nos dá confiança de que vamos conseguir nos adaptar bem”, afirma Marcelo Bellotti, comandante do Phytoervas Galapagos Capital.
Na Bra-RGS, Eduardo Harabedian, comandante do Nativo 3, inicia a defesa do campeonato nacional. O velejador foi campeão em 2017, 2020 e 2025.
A condição encontrada na largada pode influenciar a sequência da travessia. Com vento contrário, os veleiros precisam navegar em ângulos em relação à direção do vento, alternando bordos para avançar ao longo da costa.
A presença de ondas de proa também exige atenção dos tripulantes ao equilíbrio do barco, ao ajuste das velas e à distribuição das funções durante as manobras.
“Este Brasileiro reúne muito do que queremos fortalecer na vela oceânica: campeões olímpicos, equipes de alto nível, velejadores experientes e barcos de diferentes classes participando do mesmo campeonato. Na ORC, temos uma flotilha com qualidade para uma disputa muito equilibrada. E a Santos-Rio já começa exigindo estratégia e resistência, características que fazem parte da identidade dessa regata. Para a ABVO, realizar essa competição com os clubes é valorizar nossa história e criar condições para que a modalidade continue crescendo”, afirma Bayard Neto, comodoro da Associação Brasileira de Veleiros de Oceano (ABVO).
Chegada na Ilha Rasa muda trecho final
A linha de chegada desta edição foi estabelecida na região da Ilha Rasa, fora da Baía de Guanabara. A decisão atende a uma demanda das equipes e busca reduzir a interferência de calmarias e correntes da entrada da baía.
A Santos-Rio terá resultado obrigatório na pontuação do Campeonato Brasileiro e funcionará como primeiro critério de desempate.
As sete regatas seguintes, disputadas durante o Circuito Rio, terão pesos progressivos, aumentando a influência das provas posteriores na classificação.
O Brasileiro reúne, pela primeira vez, ORC, Bra-RGS, RGS-Cruiser e Clássicos. A competição é realizada pela ABVO em conjunto com o Iate Clube de Santos e o Iate Clube do Rio de Janeiro.
A chegada dos veleiros dependerá das condições meteorológicas e do desempenho das tripulações ao longo das aproximadamente 200 milhas náuticas de navegação.
Fundada em 1955, a Associação Brasileira de Veleiros de Oceano é o braço oficial da Confederação Brasileira de Vela (CBVela) para a modalidade. A entidade promove competições, administra regras técnicas e trabalha pelo desenvolvimento da vela oceânica brasileira.
A ABVO tem Bayard Umbuzeiro Neto como comodoro, o bicampeão olímpico Torben Grael como primeiro vice-comodoro e Paulo Cezar Gonçalves, o Pileca, como segundo vice-comodoro.
Entre as prioridades da gestão estão a organização do calendário nacional, o fortalecimento do relacionamento com os clubes, a ampliação da participação das flotilhas regionais e o aprimoramento do suporte técnico às competições.
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