Esportes
São Paulo se une ao Flamengo em protesto contra o fim das bets
São Paulo e Flamengo vão aderir ao manifesto “Proibir não é proteger” neste sábado (17), em protesto contra a medida provisória que proibiu as casas de apostas no Brasil. A campanha, organizada pela ANJL e pelo IBJR, defende a regulamentação e alerta para possíveis impactos nos patrocínios do futebol e no combate às plataformas clandestinas.
O São Paulo se juntará ao Flamengo e levará para dentro de campo uma manifestação contra a proibição das casas de apostas no Brasil. Neste sábado (17), o Tricolor exibirá a frase “Proibir não é proteger” durante o confronto com o Vasco, pelo Campeonato Brasileiro. A iniciativa faz parte de uma mobilização de clubes e entidades do setor de apostas contra a medida provisória que vetou o funcionamento das plataformas no país.
O Flamengo também participará do movimento na partida contra o Bahia, ampliando a presença da campanha nos jogos da rodada. A mobilização é liderada pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), que defendem a manutenção de um mercado regulado e contestam a decisão do governo federal.
A mensagem já havia sido exibida em partidas anteriores, tanto em placas publicitárias nos estádios quanto em uniformes de clubes. Agora, a campanha ganha mais espaço em meio à discussão sobre os impactos da proibição para o futebol brasileiro e para o próprio mercado de apostas.
O Flamengo, inclusive, foi pioneiro na iniciativa entre os clubes que levaram o protesto aos uniformes. A equipe rubro-negra estreou a frase “Proibir não é proteger” na camisa durante a partida contra o Santos, em 8 de outubro, ocupando o espaço tradicionalmente destinado ao patrocinador máster. Três dias depois, o clube voltou a exibir a mensagem no clássico contra o Fluminense, que também aderiu à manifestação. Agora, o São Paulo se junta ao movimento, ampliando a repercussão da campanha no futebol brasileiro.
Entenda a proibição das bets no Brasil
A medida provisória 1.394/2026 foi assinada pelo governo federal em 25 de setembro e passou a impedir a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa no país, conforme o texto da medida. A decisão provocou reações de empresas do setor e de clubes que mantêm contratos comerciais com casas de apostas.
Nos últimos anos, as plataformas se tornaram importantes patrocinadoras do futebol nacional, ocupando espaços de destaque nas camisas, nos estádios e em outras propriedades comerciais. Por isso, dirigentes e entidades esportivas demonstraram preocupação com a possibilidade de redução das receitas e com os efeitos sobre os contratos já firmados.
Em setembro, clubes brasileiros já haviam divulgado um manifesto contrário à proibição, argumentando que a retirada das empresas legalizadas não eliminaria a procura por apostas e poderia favorecer plataformas clandestinas. A nova campanha reforça essa posição, agora com mensagens exibidas durante as partidas do Brasileirão.
O que defendem os organizadores do manifesto
A ANJL e o IBJR sustentam que a proibição não elimina a demanda por apostas, mas pode direcionar os usuários para sites ilegais, que não oferecem as mesmas garantias de fiscalização e proteção previstas para operadores regulamentados.
Entre os argumentos apresentados pelas entidades estão a necessidade de mecanismos de controle, a proteção de menores de idade, a prevenção ao endividamento e o combate à manipulação de resultados. As associações defendem que o mercado seja fiscalizado e que as regras de funcionamento sejam aprimoradas, em vez de interrompidas.
A campanha também utiliza mensagens como “A demanda não acaba, apenas muda de endereço” e “Quem lucra com as bets ilegais?”, buscando chamar a atenção dos torcedores para os possíveis efeitos da medida.
Por outro lado, a discussão envolve preocupações com os impactos sociais das apostas, incluindo o endividamento das famílias e os riscos associados ao jogo problemático. O governo defende restrições como forma de enfrentar esses problemas, enquanto representantes do setor argumentam que a regulamentação e a fiscalização seriam caminhos mais adequados.
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