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Ministério Público pede prisão preventiva de vice-presidente do Corinthians

Ministério Público de São Paulo solicita a prisão de Armando Mendonça, investigado por irregularidades com a Nike.

Esporte News Mundo 16/10/2026
Ministério Público pede prisão preventiva de vice-presidente do Corinthians
Vice-presidente do Corinthians, Armando Mendonça, enfrenta pedido de prisão preventiva relacionado a irregularidades. - Foto: Gustavo Vasco / Corinthians

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) solicitou, nesta sexta-feira (16), a prisão preventiva de Armando Mendonça, vice-presidente do Corinthians, no âmbito do processo que investiga supostas irregularidades envolvendo materiais esportivos fornecidos pela Nike ao clube. A proposta foi enviada à 25ª Vara Criminal de São Paulo e se baseia na possibilidade de intimidação de testemunhas e interferência na produção de provas.

A solicitação foi realizada pelo promotor Cássio Conserino após o desligamento de Marcelo Munhoes, ex-diretor de Tecnologia da Informação do Corinthians, considerado um depoente crucial para a acusação. A demissão aconteceu às vésperas da audiência de instrução do processo, marcada para o dia 10 de novembro.

De acordo com o Ministério Público, Munhoes foi responsável pelo levantamento técnico que identificou potenciais irregularidades no controle e na distribuição dos produtos esportivos fornecidos pela Nike. Para a Promotoria, a saída do ex-diretor pode comprometer seu depoimento e influenciar outros funcionários do clube que ainda devem ser ouvidos pela Justiça.

O promotor também destacou o apoio público do presidente corintiano, Osmar Stábile, a Armando Mendonça. Na ótica da acusação, o contexto que envolveu a demissão levanta suspeitas sobre uma possível tentativa de interferir no andamento do processo. As circunstâncias da demissão serão apuradas em um novo procedimento investigatório.

Entenda o caso Nike

Armando Mendonça tornou-se réu em junho de 2026, após ser denunciado pelo Ministério Público por suspeitas de apropriação indébita agravada continuada, tentativa de apropriação indébita agravada continuada, furto qualificado por abuso de confiança e coação no curso do processo.

A investigação ganhou destaque após uma auditoria interna realizada no Corinthians a pedido da presidência do clube. O levantamento identificou inconsistências nos registros, falhas no controle de estoque e problemas na distribuição de materiais esportivos fornecidos pela Nike.

Segundo a denúncia do Ministério Público, Mendonça teria se apropriado de 131 itens esportivos, tentado obter 19 camisas especiais identificadas com a NFL e retirado oito unidades dessa edição comemorativa. Ele também é acusado de ameaçar duas testemunhas durante as investigações. Essas alegações compõem a acusação e ainda precisam ser analisadas ao longo do processo judicial.

O vice-presidente refuta as irregularidades e afirma que os problemas relacionados à retirada de materiais têm origem na gestão do ex-presidente Augusto Melo. Mendonça questionou ainda a validade do relatório de auditoria, alegando falhas no documento e afirmando que medidas corretivas foram implementadas pela administração atual.

Defesa contesta iniciativa do Ministério Público

A defesa de Armando Mendonça criticou a solicitação de prisão preventiva, considerando a iniciativa abusiva e ilegal. Conforme informações divulgadas pelo portal Meu Timão, os advogados questionaram o uso da demissão de um membro da estrutura do clube como justificativa para requerer novas medidas judiciais. A defesa também manifestou a intenção de levar questionamentos sobre a atuação do promotor aos órgãos correcionais do Ministério Público e afirmou confiar na Justiça.

É importante destacar que o pedido de prisão preventiva não implica que a medida tenha sido deferida. A decisão cabe à Justiça, que analisará os argumentos da Promotoria para determinar se há fundamentos legais para a prisão do dirigente.

O caso intensifica a pressão sobre a administração do Corinthians em meio às investigações sobre a gestão dos materiais esportivos e as disputas internas no clube. A audiência de instrução marcada para 10 de novembro poderá representar uma etapa crucial para a continuidade da ação, com a possibilidade de novos depoimentos e revisão das provas coletadas.

Até que haja uma decisão judicial definitiva, as acusações contra Armando Mendonça devem ser consideradas meras alegações, respeitando o direito à ampla defesa e a presunção de inocência.