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Infantino se desculpa, mas é cobrado por conselheiros em reunião da FIFA

Pressão por transparência continua na entidade máxima do futebol.

Estadao Conteudo 15/10/2026
Infantino se desculpa, mas é cobrado por conselheiros em reunião da FIFA
Infantino se desculpa, mas é cobrado por conselheiros em reunião da FIFA - Foto: Alex Wong/Getty Images

A reunião do Conselho da FIFA, realizada em Zurique nesta quinta-feira, não ocorreu como Gianni Infantino esperava. De olho no quarto mandato, o presidente da entidade pediu desculpas pelo fracassado plano de vender participações comerciais da Copa do Mundo, o programa FIFA Forward Enterprise (FFE), mas foi amplamente cobrado por não fornecer explicações claras, recebendo críticas de que 'não está apto para liderar'.

O encontro durou três horas e meia e, apesar das desculpas de Infantino diante dos dirigentes de todas as entidades mundiais, ele enfrenta forte pressão de federações da Europa, Ásia e Concacaf para renunciar ao cargo, situação que ele desconsidera. Após o debate, o mandatário optou por não atender à imprensa e divulgou um comunicado gravado.

Na gravação, Infantino disse: "Antes de mais nada, peço desculpas pelos erros que cometemos em relação ao processo de comunicação e consulta referente ao projeto FIFA Forward Enterprise, que acarretou diversas consequências. Mas é importante lembrar que se tratava de uma proposta, e não de um acordo fechado, cujo objetivo era permitir que a FIFA investisse mais em suas associações membros, em vez de substituir o apoio proveniente de recursos já existentes".

O dirigente tem viajado por diversas partes do mundo em busca de apoio, sendo que o continente africano é a base de sua maior sustentação. "Após finalmente retirar essa proposta, o presidente Gianni Infantino pediu desculpas aos membros do Comitê Executivo. Seguiu-se um debate responsável, durante o qual a questão foi, de certa forma, deixada de lado. Acredito que, no interesse do futebol, o Comitê Executivo está olhando para o futuro e buscando soluções de forma positiva", destacou Ahmed Yahya, membro do Conselho da FIFA e presidente da Federação Mauritana de Futebol, um dos apoiadores mais fervorosos de Infantino, tentando pregar a paz entre as partes.

O encontro na capital suíça tinha como pauta a concessão de aproximadamente R$ 125,6 milhões a todas as associações, medida que visava amenizar as críticas e se tornou possível após a ampliação do número de seleções na Copa do Mundo. O plano envolve um investimento de até US$ 6 bilhões (cerca de R$ 30,16 bilhões) para o desenvolvimento do futebol entre 2027 e 2030, um montante 25 vezes maior que o anterior, disponível há uma década. Contudo, os dirigentes europeus mostraram-se insatisfeitos com a falta de respostas durante a reunião.

Debbie Hewitt, presidente da Federação Inglesa de Futebol (FA) e vice da FIFA, lamentou em entrevista à BBC Sports: "Foi uma reunião mais robusta, franca e aberta. Uma das coisas decepcionantes foi que não obtivemos respostas específicas para nossas solicitações, como a obtenção dos documentos da FFE".

"Eu perguntei e nos pediram para enviar essas perguntas por escrito. Acho que esse homem precisa responder a essas perguntas e, se não as responder agora, não está apto para ser presidente da FIFA. E foi isso que foi discutido na reunião", revelou Isaella. Ela ainda enfatizou que, apesar do pedido formal, ainda não recebeu os documentos solicitados.

A pressão de um lado contrasta com o apoio recebido de entidades africanas, que consideram a gestão de Infantino positiva. "Já afirmei que o presidente Gianni Infantino está impulsionando o futebol em todo o mundo. Venho do continente africano e sei do que estou falando. Ele quer promover o futebol e deseja que todos participem", disse Ahmed Yahya, reconhecendo as tensões entre Infantino e os europeus.

Na conversa sobre o papel das reformas, ele declarou: "Veja bem, uma das coisas boas do futebol é a sua democracia. Quanto aos europeus, alguns têm uma opinião, outros não. É verdade que nossos amigos europeus desejam reformas na FIFA, mas também defendemos que, se as reformas devem ocorrer, elas precisam contemplar todos os níveis (associações, confederações e a própria entidade)".

Infantino, por sua vez, mostrou-se disposto a realizar reformas no futebol, mantendo-se como responsável pelas modificações. Ele também reiterou que irá responder todos os questionamentos "em tempo oportuno". Segundo ele, "Como tem sido dito muitas vezes desde 2016, o dinheiro da FIFA, incluindo as suas reservas, pertence às 211 Associações-Membros". O presidente finalizou afirmando que a proposta de aumentar o investimento tem como objetivo reforçar o compromisso da FIFA em apoiar o desenvolvimento do futebol globalmente.

"Em dez anos desde que me tornei presidente da FIFA, passamos de um milhão de dólares por Associação-Membro para 25 milhões de dólares para cada uma no mundo. Ao mesmo tempo, gostaria de agradecer a todos que apresentaram sugestões sobre a distribuição dos fundos às nossas 211 Associações-Membros, pois precisamos olhar para o futuro em um espírito de unidade e no melhor interesse do futebol".