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Astrônomos criam maior mapa já feito dos campos magnéticos cósmicos (IMAGENS)
Campos magnéticos, invisíveis, mas decisivos para a formação de estrelas e galáxias, ganharam seu maior mapa já produzido graças ao radiotelescópio ASKAP, que analisou a polarização da luz de 350 mil galáxias e revelou estruturas magnéticas da Via Láctea a regiões distantes do Universo.
Os campos magnéticos permeiam o Universo e influenciam o movimento das partículas que formam planetas, estrelas e galáxias, embora sua origem ainda seja desconhecida. Na Terra, eles orientam bússolas e aves migratórias, mas no cosmos exigem técnicas sofisticadas para serem detectados.
Astrônomos recorrem a radiotelescópios para usar a luz de galáxias distantes como uma espécie de lanterna que revela regiões invisíveis do espaço. Em um novo estudo, pesquisadores empregaram o radiotelescópio mais poderoso da Austrália para produzir o maior e mais detalhado mapa já feito desses campos magnéticos.
A força desses campos varia enormemente: estrelas de nêutrons e buracos negros exibem magnetismo trilhões de vezes mais intenso que o terrestre, enquanto no espaço interestelar há campos um milhão de vezes mais fracos — ainda assim cruciais para regular a evolução das galáxias e até frear a formação de estrelas.
Como os campos são invisíveis, sua presença é inferida pela polarização da luz, que muda ao atravessar regiões magnetizadas. Essa torção é especialmente detectável em ondas de rádio, permitindo que telescópios revelem estruturas ocultas do Universo.
A Austrália tem papel histórico nessa área, já que em 1962 o radiotelescópio Murriyang detectou pela primeira vez a polarização causada por campos magnéticos extragalácticos. Desde então, astrônomos buscam ampliar o número de fontes observadas para construir mapas cada vez mais completos.
O último grande mapa havia sido produzido em 2009, e a falta de atualizações limitava o avanço científico. Para superar essa lacuna, uma nova geração de radiotelescópios — impulsionada pela construção do Observatório SKA — começou a operar, incluindo o ASKAP, um precursor com 36 antenas capazes de observar vastas áreas do céu.

O ASKAP alimenta o projeto Levantamento de Polarização do Magnetismo do Universo (POSSUM, na sigla em inglês), dedicado a mapear o magnetismo cósmico. Em levantamentos preliminares, o telescópio identificou quase quatro milhões de galáxias, metade delas inéditas, criando um atlas essencial para estudos posteriores.
A partir desses dados, pesquisadores desenvolveram o novo mapa SPICE‑RACS, analisando sinais de polarização em 350 mil galáxias — dez vezes mais do que o maior conjunto anterior. O resultado é o mapa mais amplo e detalhado já obtido, revelando estruturas magnéticas da Via Láctea e de regiões ainda mais distantes.
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