Esportes
CBF aumenta despesas e fecha 2025 com déficit de R$ 182,5 milhões
Entidade atribui resultado negativo a investimentos para regularizar dívidas antigas e indenização milionária ao Icasa
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) encerrou o ano de 2025 com déficit de R$ 182,5 milhões, conforme balanço financeiro aprovado pelos representantes das 27 federações estaduais em assembleia realizada nesta segunda-feira, 27.
Após registrar superávit de R$ 107 milhões em 2024, a entidade atribuiu o resultado negativo a "grandes investimentos realizados para a regularização de passivos deixados por gestões anteriores".
Um dos principais fatores para o aumento de 111% nas despesas operacionais foi o pagamento de R$ 80 milhões ao Icasa, clube que venceu processo judicial contra a CBF referente ao não acesso à Série A em 2014.
A equipe de Juazeiro do Norte, quinta colocada na Série B de 2013, alegou erro da confederação que impediu sua promoção à elite do futebol nacional e foi indenizada após decisão da Justiça. O caso envolveu o Figueirense, por suposta escalação irregular do jogador Luan na partida contra o América-MG, sob a alegação de que o atleta atuou com contrato vigente em outro clube.
Mesmo sem a indenização ao Icasa, a CBF teria encerrado 2025 com déficit superior a R$ 100 milhões. Outras despesas relevantes foram relacionadas à Seleção Brasileira.
Entre os investimentos, destacam-se R$ 27 milhões em logística devido ao aumento das viagens da equipe comandada por Carlo Ancelotti para as Eliminatórias da Copa do Mundo e amistosos; R$ 13 milhões em marketing e R$ 9 milhões em tecnologia, consultoria institucional, esportiva, assessoria jurídica e de comunicação.
As receitas do contrato com a Nike, considerado o maior da história da confederação com a fornecedora de material esportivo, foram antecipadas para o exercício de 2024, o que impactou negativamente o caixa em 2025. O acordo pode render até R$ 1 bilhão por ano, incluindo royalties pela venda das camisas da Seleção.
O diretor financeiro da CBF, Valdecir de Souza, justificou os gastos como necessários para "buscar eficiência na nova gestão", com expectativa de "receitas crescentes" nos próximos anos.
"Fez-se necessário gastar para buscar eficiência na nova gestão: resultados futuros, receitas crescentes, para que possamos fazer o que é mais importante, que é investir no futebol. Durante a Assembleia, acho que todos perceberam este ambiente novo, essa nova gestão, a vontade de fazer acontecer, de ter uma CBF com modernidade comparável às grandes confederações, como a FIFA. É o protagonismo da CBF que precisamos retomar", afirmou.
O presidente Samir Xaud também destacou o compromisso com a reorganização financeira: "Enfrentamos problemas e assumimos o compromisso de reorganizar finanças, regularizar dívidas trabalhistas e com clubes. Este investimento vai nos trazer frutos", declarou.
A entidade apresentou receita bruta de R$ 1,7 bilhão em 2025, R$ 200 milhões a mais do que no ano anterior.
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