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Com boicotes e discurso por inclusão, Paralimpíadas são abertas na Itália

Desfile em Verona teve presença das bandeiras da Rússia e de Belarus

Redação ANSA 06/03/2026
Com boicotes e discurso por inclusão, Paralimpíadas são abertas na Itália
Desfile em Verona teve presença das bandeiras da Rússia e de Belarus - Foto: ANSA

A Arena de Verona, na Itália, recebeu nesta sexta-feira (6) a cerimônia de abertura dos Jogos Paralímpicos de Inverno de Milão e Cortina d'Ampezzo, marcada por boicotes e pela participação de russos e bielorrussos sob suas próprias bandeiras.

O espetáculo "Vida em Movimento", dirigido por Alfredo Accatino, mesmo diretor artístico que supervisionou a aclamada abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno em 6 de fevereiro, teve início com o baterista da banda The Police, Stewart Copeland, abrindo as apresentações. Na sequência, a artista italiana Mimi Caruso, de apenas 19 anos, cantou o hino do país anfitrião.

Em meio a tudo isso, a grande presença de autoridades nacionais contrastou fortemente com a ausência de delegações internacionais que aderiram ao boicote liderado pela Ucrânia, que, assim como outras nações, optou por não enviar representantes governamentais à cerimônia.

Ao som do trio de produtores e DJs Meduza, as delegações começaram a entrar na Arena de Verona, mas as bandeiras foram carregadas por voluntários durante o desfile. Mesmo assim, imagens dos atletas gravadas nas vilas olímpicas foram exibidas nos telões durante o show.

Após as polêmicas entradas de russos e bielorrussos, as delegações italiana e ucraniana foram as mais ovacionadas pelo público presente. Na sequência, o presidente do comitê organizador dos Jogos Paralímpicos, Giovanni Malagò, mencionou o período de conflitos no mundo.

"Não podemos ignorar que estes Jogos estão acontecendo em um momento de profunda divisão, marcado por guerras, dor e sofrimento, em uma das viradas mais dramáticas da nossa época. Precisamente por essa razão, a mensagem de paz, inclusão e solidariedade que está no cerne do movimento paralímpico é mais significativa e importante do que nunca", declarou o dirigente.

O responsável pela Fundação Milão-Cortina 2026 acrescentou que o megaevento "representa uma oportunidade extraordinária para transformar a sociedade, para tornar um país verdadeiramente inclusivo e, acima de tudo, para inspirar uma reflexão coletiva sobre deficiência e inclusão na consciência pública".

O brasileiro Andrew Parsons, presidente do Comitê Paralímpico Internacional (CPI), afirmou que "prefere conhecer os países pelos nomes de seus atletas" em vez de seus líderes.

"Há quatro anos, eu disse que estava chocado com o que estava acontecendo no mundo. Hoje, a situação não mudou, mas o esporte oferece outra perspectiva. Estes Jogos oferecem algo diferente, onde as diferenças não dividem, mas se tornam forças, onde as nações são vizinhas e competem de forma justa", afirmou.

O espetáculo contou com dançarinos com deficiência performando "Romeu e Julieta", tragédia de William Shakespeare que se passa em Verona. A esgrimista bicampeã paralímpica Beatrice Vio foi a última condutora da tocha e passou a chama para os dançarinos, que fizeram uma coreografia com luzes nas mãos. As piras foram acesas por Gianmaria Dal Maistro e Francesca Porcellato.

No fim da cerimônia, Michaela Benthaus, primeira astronauta em cadeira de rodas, entrou na Arena de Verona e foi acompanhada por uma transmissão de Sophie Adenot diretamente da Estação Espacial Internacional (ISS).