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Mudanças internas do Sol revelam que mínimos solares variam mais do que se pensava

Análise inédita mostra que períodos de calmaria no ciclo solar apresentam diferenças marcantes em pressão, temperatura e campo magnético.

04/03/2026
Mudanças internas do Sol revelam que mínimos solares variam mais do que se pensava
Análise inédita revela variações internas do Sol durante mínimos solares, com destaque para 2008–2009. - Foto: © Sputnik / XRAS / Acessar o banco de imagens

Estudo revela que a aparente calmaria do Sol esconde variações internas significativas: décadas de observações mostram que os mínimos do ciclo solar de 11 anos são mais diversos do que se imaginava, com o mínimo profundo de 2008–2009 deixando marcas perceptíveis em pressão, temperatura e campos magnéticos internos.

Períodos de baixa atividade solar, antes considerados uniformes, apresentam mudanças internas sutis que só agora estão sendo detectadas com precisão. Uma análise detalhada de dados coletados ao longo de décadas evidencia que os mínimos solares não são todos iguais e que o mínimo de 2008–2009, em especial, provocou alterações mensuráveis no interior da estrela.

Segundo Bill Chaplin, da Universidade de Birmingham, foi possível quantificar pela primeira vez como a estrutura interna do Sol muda de um mínimo para outro. As camadas externas sofrem alterações discretas ao longo dos ciclos, e mínimos excepcionalmente silenciosos geram efeitos internos mais pronunciados.

O ciclo solar, caracterizado pela inversão dos polos magnéticos e por oscilações entre máximos e mínimos de atividade, sempre foi reconhecido por sua irregularidade. Enquanto os máximos variam em intensidade, os mínimos pareciam similares — até agora.

A equipe liderada por Sarbani Basu, da Universidade Yale, analisou quatro mínimos consecutivos utilizando dados da rede BiSON, que monitora oscilações acústicas no interior solar. Essas vibrações, comparáveis às ondas sísmicas terrestres, permitem inferir propriedades internas do plasma solar.

Os pesquisadores concentraram-se em dois sinais: a chamada "falha de hélio", uma assinatura deixada pela ionização do elemento logo abaixo da superfície, e a velocidade do som dentro do Sol, que varia conforme as mudanças de temperatura, pressão e estrutura interna.

Ao comparar os mínimos de 1985, 1996, 2008–2009 e 2018–2019, o grupo observou que o mínimo de 2008–2009 — um dos mais longos e silenciosos já registrados — apresentou as alterações mais significativas. O sinal do hélio foi mais intenso e a velocidade do som maior, indicando pressões mais altas, temperaturas levemente elevadas e campos magnéticos mais fracos em algumas regiões.

Essas diferenças ajudam a entender por que o ciclo solar 24, subsequente, foi excepcionalmente fraco. Para Basu, compreender o que ocorre sob a superfície durante os períodos de calmaria é essencial, já que pequenas mudanças internas podem influenciar de forma decisiva a atividade futura da estrela.

O estudo reforça que ciclos aparentemente semelhantes podem ter origens internas distintas, exigindo modelos solares mais sensíveis a essas variações. Chaplin ressalta que observações sísmicas de longo prazo são fundamentais — e que missões como a PLATO poderão aplicar essas técnicas a outras estrelas, ampliando o conhecimento sobre como sua atividade afeta os ambientes planetários ao redor.

Por Sputnik Brasil