Esportes
Ataques ao Irã elevam tensão entre política e futebol a três meses da Copa do Mundo
Ação militar liderada por EUA e Israel contrasta com discurso de paz da Fifa e lança dúvidas sobre segurança e neutralidade no esporte às vésperas do torneio.
Menos de três meses após receber o primeiro Prêmio da Paz entregue pela Fifa, durante o sorteio da Copa do Mundo em Washington, o presidente Donald Trump, em conjunto com Israel, lançou um grande ataque ao Irã neste sábado, 28.
Essa ofensiva militar contrasta fortemente com a promoção da paz defendida pela entidade máxima do futebol e intensifica as incertezas sobre a instabilidade geopolítica global às vésperas da Copa do Mundo — torneio para o qual a seleção iraniana já está classificada.
Os recentes ataques ao Irã somam-se à intervenção americana na Venezuela, ocorrida em janeiro, colocando o esporte mundial em uma encruzilhada delicada.
Impactos no esporte e na imagem da Fifa
O ataque deste sábado pode ter repercussões em diferentes frentes esportivas, sendo a principal delas a imagem institucional da Fifa. A concessão do Prêmio da Paz — criado para reconhecer personalidades que contribuam para a paz — a um líder que agora conduz uma operação militar, pode gerar críticas e questionamentos sobre a neutralidade da entidade esportiva.
Procurada neste sábado, após os ataques ao Irã, a Fifa não se manifestou oficialmente.
Em entrevista ao programa The World with Yalda Hakim, exibido pela Sky News no Reino Unido, em janeiro, o presidente da Fifa afirmou que o slogan da organização, "o futebol une o mundo", "anda de mãos dadas com a paz". "Há algum tempo pensávamos se deveríamos fazer algo para recompensar as pessoas que fazem algo", disse Gianni Infantino. Em seguida, ao mencionar Trump, destacou: "objetivamente, ele merece".
A entrega do prêmio ocorreu em meio à escalada de tensão entre Estados Unidos e Venezuela, quando Washington já ensaiava uma operação militar concluída em janeiro. O então presidente Nicolás Maduro foi capturado e transferido para Nova York para responder a acusações de narcotráfico.
Segurança na Copa do Mundo em pauta
Outro impacto direto é a crescente preocupação com a segurança durante a Copa do Mundo de 2026, agendada para junho nos Estados Unidos, México e Canadá. A recente instabilidade no Oriente Médio pode resultar em medidas de segurança mais rígidas e restritivas. Embora ainda seja difícil medir a reação de atletas e delegações, os conflitos aumentam a pressão sobre representantes esportivos e federações.
Até o momento, não há anúncios oficiais de boicotes ou sanções esportivas em resposta ao conflito.
A seleção do Irã, classificada para a Copa, não participou do sorteio dos grupos realizado em 5 de dezembro, em Washington, devido à recusa dos Estados Unidos em conceder vistos aos membros da delegação iraniana.
Nos últimos doze meses, os Estados Unidos realizaram bombardeios em pelo menos sete países: Venezuela, Síria, Iraque, Irã, Nigéria, Iêmen e Somália.
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