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Mostra 'Amazônicas' reúne obras de 21 artistas da região, em linguagens que vão da pintura à performance

Em cartaz no CCBB do Rio, exposição traz trabalhos da década de 1970 à produção atual

Agência O Globo - 22/10/2026
Mostra 'Amazônicas' reúne obras de 21 artistas da região, em linguagens que vão da pintura à performance
Mostra 'Amazônicas' reúne obras de 21 artistas da região, em linguagens que vão da pintura à performance - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Em cartaz até 16 de novembro no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) do Rio, a exposição “Amazônicas: Poéticas femininas” reúne 80 obras de 21 artistas, de diferentes gerações, dos estados do Pará, Acre e Amazonas. Com curadoria da historiadora de arte Sissa Aneleh — também responsável pela mostra “Vetores-vertentes”, sobre a produção de 11 fotógrafas paraenses, montada no mesmo local entre fevereiro e março deste ano —, a coletiva traz trabalhos de nomes como Keila-Sankofa, Maria Auxiliadora Zuazo, Rita Huni Kuin, Auá Mendes, Rafa Bqueer, Nina Matos, Rafaela Moreira e Renata Aguiar, em técnicas como pintura, escultura, gravura, fotografia e videoarte.

— A “Vetores-vertentes” era quase um capítulo da minha pesquisa de 16 anos sobre a produção de mulheres da arte amazônica, e aqui eu pude aprofundar. A fotografia também está presente, mas temos obras que vão da pintura e escultura à performance, ao vídeo — destaca Sissa, fundadora e diretora do Museu das Mulheres, projeto sediado em Brasília. — São trabalhos do nosso acervo e de outras coleções, como a da Pinacoteca do Estado de Manaus, que nunca havia sido exibidas fora de lá.

A mostra, que encerra sua itinerância no Rio após ter sido apresentada em Belém, Fortaleza e Brasília, é dividida em quatro núcleos temáticos: “Materialidades ancestrais”, “Gravura feminina”, “Amazônia pictórica” e “Performáticas”. A proposta, além de reforçar a diversidade da cena artística local, é destacar a permanência dessa produção ao longo de décadas.

— A seleção traz obras desde a década de 1970, mas essa produção data de muito antes. Belém, por exemplo, foi uma das principais capitais do Brasil desde o século XVII. Você tem não só uma presença de artistas ao longo desses anos, como também dos espaços de exibição, de um mercado — contextualiza a curadora. — E, claro, temos uma arte indígena que atravessa gerações, que influencia a pintura, a escultura, a performance. Na mostra, temos várias nomes indígenas, aldeadas ou não, trabalhando essas tradições no universo da arte contemporânea.

Entre as artistas que trabalham performance, vídeo e fotoperformance está a paraense radicada no Rio Rafa Bqueer, com duas obras da série “Imagens de revolta” (2023). Em “Oyá”, ela interage com o Memorial da Cabanagem, em Belém, projetado por Oscar Niemeyer em 1985; e em “Maria Ruth”, homenageia a avó de mesmo nome, tacacazeira na cidade de Tomé-Açu (PA), vestida com um figurino inspirado em “Vendedora de cheiro” (1947), da pintora paraense Antonieta Santos Feio (1897–1980).

— Tive o desejo de ressignificar a obra da Antonieta Feio, uma pintora modernista do início do século XX, dentro do universo queer e do lugar das pessoas pretas no universo das artes. Fiz essa fotoperformance no interior do Pará, onde meu pai cresceu e minha avó era tacacazeira, tem relação com a memória e a questão do território — detalha Rafa. — Em “Oyá”, eu estou num andaime empunhando um terçado, símbolo da orixá, confrontando a arquitetura modernista do Memorial, o único monumento do Niemeyer na Amazônia. Me coloco como um monumento vivo, em memória à revolta da Cabanagem.

A programação da mostra terá, no dia 31, às 15h, a palestra “Arqueologia do feminino: escultura arqueológica contemporânea”, com Sissa Aneleh e a artista Cristiane Martins, que realizará, às 16h30, a performance “Cirandas matriarcais”, na rotunda do CCBB.