Curiosidades
Em julgamento por estupro e agressão, Russell Brand é apontado como 'predador implacável e manipulador'
O comediante responde a sete acusações de estupro e violência sexual, que teriam ocorrido entre 1999 e 2009
Começou na última segunda-feira (12) o julgamento do comediante britânico Russell Brand.
A promotora Riel Karmy-Jones classificou Brand como um "predador sexual implacável, calculista e manipulador", afirmando que mulheres relataram à polícia que ele era "infantil em sua expectativa de que todos os seus desejos fossem atendidos", segundo o jornal The Guardian.
As vítimas do comediante acusam-no de rir delas após tentativas de repelir suas investidas. Membros do círculo próximo a Brand foram acusados de não intervir para impedir seu comportamento.
A primeira vítima conheceu Brand na conferência do Partido Trabalhista de 1999 em Bournemouth. Ela relatou ter sido estuprada pelo comediante em seu quarto de hotel, onde ele se despira e começou a imitar desajeitadamente passos de avestruz "ao estilo de Basil Fawlty". Inicialmente, ela pensou que ele fosse gay. No entanto, uma vez no quarto, ele a forçou a deitar na cama e a estuprou, agindo como se nada tivesse ocorrido, conforme as palavras de Karmy-Jones.
Sobre aquele episódio, Mark Pinheiro, ex-amigo de Brand, testemunhou ao tribunal que o comediante estava "encolhido" no banco de trás do carro ao ouvir sirenes da polícia ao sair de Bournemouth. Pinheiro recorda que Brand não voltou para casa naquela noite, mostrando-se "atordoado" e ansioso para ir embora na manhã seguinte. Ele contou que Brand admitiu ter feito sexo com uma mulher e comentou: "Acho que talvez tenha ido um pouco longe demais".
Outra vítima, que trabalhava na MTV com Brand, relatou que ele tentou arrastá-la para um banheiro nos anos 2000, após um elogio a sua camiseta "I Am Spartacus". Uma funcionária de uma estação de rádio contou que Brand "riu baixinho" após beijá-la e apalpá-la, enquanto membros de sua equipe assistiam. O episódio ocorreu na própria estação de rádio e ela descreveu o ataque como "rápido e frenético".
Karmy-Jones também destacou que Brand a agarrou pelo rosto com as duas mãos e a empurrou contra a parede, beijando-a de forma "desleixada e agressiva". Durante essa agressão, ele a apalpou agressivamente pelos seios, laterais e nádegas.
Em 2004, em um bar do Soho, outra vítima relatou ter sido apalpada por Brand, que mais tarde a estuprou em um banheiro, ignorando seus protestos com a frase: "vamos lá, não seja estraga-prazeres, você quer".
Uma mulher ainda afirmou ter sido estuprada por Brand em sua casa em Hampstead. Depois de ter relações sexuais consensuais com ele, encontrando-o em um show de stand-up no Hammersmith Apollo em 2009, ela alega que Brand a estuprou e, no ano seguinte, recebeu um pedido de desculpas por mensagem de texto.
A última acusadora, uma funcionária do Channel 4, afirmou que sofreu agressão sexual durante filmagens de um projeto em 2009. Inicialmente, ele era "amigável e gentil", mas, conforme as filmagens progrediram, ficou irritado e a equipe sugeriu que a mulher massagiasse Brand. Ela se recusou, mas acabou sendo coagida a fazê-lo, momento em que ele posicionou a cabeça na virilha dela.
O julgamento está previsto para se estender por até 10 semanas, o que significa que o júri pode não chegar a um veredito até dezembro. Caso seja considerado culpado de estupro, Brand pode enfrentar uma pena máxima de prisão perpétua, sem chance de flexibilização do regime, conforme a legislação britânica.
Após as primeiras acusações, a BBC iniciou uma investigação interna para revisar as interações entre seus funcionários e Russell Brand, que apresentou um programa de rádio da rede entre 2006 e 2008. O relatório, divulgado em janeiro de 2025, apontou um "comportamento inaceitável" por parte do comediante.
O documento, escrito por Peter Johnston, diretor de queixas editoriais e revisões da BBC, admitiu que "deveriam ter existido sistemas melhores para garantir que o comportamento inaceitável de Russell Brand fosse prontamente identificado e tratado, e que todos se sentissem confortáveis para levantar quaisquer preocupações".
O departamento de Johnston entrevistou 39 pessoas que trabalharam com Brand, que forneceram detalhes variados sobre encontros com ele. O relatório mencionou uma situação em que Brand "enfiou os dedos" na "calça e na roupa íntima" de uma colega, além de que ele seguiu uma mulher que não era funcionária da BBC até um banheiro, onde mostrou seu pênis, e teve relações sexuais com alguém que visitou a emissora após ganhar um concurso de rádio. A pessoa afirmou que o sexo foi consensual, mas que Brand "abusou de sua posição e se aproveitou dela."
Uma reclamação registrada durante seu tempo na BBC descreveu um incidente em que Brand urinou em uma garrafa e jogou objetos com raiva contra uma tela durante a gravação de um episódio. Embora a situação tenha sido formalmente relatada, a investigação concluiu que "nada foi feito a respeito". A natureza de uma segunda reclamação não foi detalhada.
Muitos colegas de trabalho de Brand expressaram desconforto com sua conduta, mas sentiram que não valia a pena fazer reclamações, acreditando que não seriam ouvidos. Eles viam Brand como um "apresentador de alto perfil", supondo que ele contava com o apoio da administração da emissora.
Brand alegou ser viciado em sexo e se declarou inocente de três acusações de estupro, três de agressão sexual e uma de atentado ao pudor. Ele sustenta que todo contato sexual foi consensual e pretende argumentar que suas acusadoras "reinterpretaram" os encontros à luz de reportagens sobre sua suposta conduta imprópria.
Em uma entrevista ao podcast da comentarista conservadora Megyn Kelly em abril, Brand afirmou que, apesar de já ter sido "viciado em sexo", todo seu comportamento passado foi "consensual e, por isso, não-criminoso". Ele se declarou inocente em audiências preliminares e, antes do julgamento, reiterou em vídeos e entrevistas que nunca se envolveu em atividade sexual não consensual.
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