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Treta política impediu Netinho, que morreu nesta terça-feira (13), de cantar 'Milla', seu maior sucesso

Após declarar apoio a Jair Bolsonaro e alfinetar Daniela Mercury, cantor foi proibido de interpretar a canção pelo compositor da canção, Manno Góes

Agência O Globo - 13/10/2026
Treta política impediu Netinho, que morreu nesta terça-feira (13), de cantar 'Milla', seu maior sucesso
Netinho - Foto: Reprodução

O cantor Netinho foi impedido de cantar 'Milla', seu maior sucesso, devido a uma treta política.

O desentendimento teve início quando Netinho, um dos principais nomes do axé music, declarou apoio ao então presidente da República, Jair Bolsonaro, em março de 2019. Naquela época, a cantora Daniela Mercury havia começado uma polêmica com o chefe do Executivo sobre a Lei Rouanet. Netinho manifestou sua adesão a Bolsonaro postando uma foto ao lado do político, acompanhada da seguinte legenda:

“Eu nunca usei Lei Rouanet, nem quero. Ele sim me recebeu respeitosamente e não fui lá pedir nada, reclamar nada. Fui lá apenas para dizer a ele que se recuperaria da facada que recebeu”.

Diante da declaração de Netinho e da alfinetada direcionada a Daniela, Manno Góes, compositor da música, que possui uma posição política oposta à do cantor, publicou um extenso texto no Facebook, encerrando a amizade entre eles e proibindo Netinho de regravar suas músicas.

Luto:

Morre Netinho:

“A Milla da música é amor! É liberdade! É diversidade! Jamais seria tortura, homofobia, xenofobia, preconceito. Jamais estaria ligada à milícia ou laranjas”, declarou na época. “A música Milla deve estar conectada ao lúdico, alegre, divertido, adolescente, amoroso… Jamais a essas pessoas horríveis que admiram Bolsonaro e criticam colegas de trabalho por pura maldade, inveja ou burrice […] Milla jamais seria composta por um admirador de Bolsonaro”, acrescentou.

O compositor enfatizou que seu desagrado não estava relacionado ao fato de Netinho ter votado em Bolsonaro, mas sim à transformação que o músico havia sofrido.

“Um rapaz que rebate sua colega de profissão, Daniela, com memes e ironias por ela querer defender o diálogo. Um rapaz que se tornou um constrangimento. Um outdoor de vergonha e retrocesso medieval. Esse rapaz de hoje jamais faria sucesso com Milla”, disparou.

No texto, Góes deixou claro que não desejava mais ver Netinho cantando suas músicas. “A Milla da música não tem nada a ver com o personagem constrangedor que Netinho se tornou. Que nunca mais grave Milla, ou Pra Te Ter Aqui, ou qualquer coisa que eu compuser […] Naufrague com sua maldade, Netinho. Se achasse que você só está ainda doente, não te escreveria isso. Você está são e completamente conectado com esse governo inacreditavelmente perverso. Não me chame de amigo. Não sou seu amigo. Não quero mais ser seu amigo. Você não merece Milla. Bicha burra”, concluiu.

Após a divergência e o desentendimento nas redes, Netinho ingressou com um processo contra Manno Góes, mas saiu derrotado. O juiz do caso absolveu o compositor na queixa-crime movida pelo artista, entendendo que a confusão entre os dois era fruto da polarização que há anos marca o cenário político-partidário nacional.

Em 2023, Netinho fez uma série de postagens apoiando os ataques golpistas que ocorreram em Brasília no dia 8 de janeiro. Contudo, esses posts foram posteriormente deletados de sua rede social.