Curiosidades

Morre César Oiticica, integrante do Grupo Frente, aos 87 anos, no Rio

Irmão de Hélio Oiticica, o artista e arquiteto fez, em 2024, sua primeira mostra individual após 50 anos, no Paço Imperial, no Rio

Agência O Globo - 30/09/2026
Morre César Oiticica, integrante do Grupo Frente, aos 87 anos, no Rio
César Oiticica

Um dos integrantes do Grupo Frente, marco histórico do movimento construtivo no Brasil nos anos 1950, e irmão de Hélio Oiticica (1937-1980), morreu nesta terça-feira (29), aos 87 anos, no Rio. A notícia foi confirmada pelas redes sociais do Projeto Hélio Oiticica, do Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica e de seu filho, o também artista e curador César Oiticica Filho, o Cesinha.

Também arquiteto e curador, César integrou o Grupo Frente de 1954 a 1956, do qual seu irmão também fez parte, fundamental para a projeção da abstração geométrica como um dos principais movimentos da arte brasileira desde a segunda metade do século XX. Junto a Hélio, César começou a estudar pintura em 1954, aos 15 anos, no Curso Livre de Pintura de Ivan Serpa, no Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio. No ano seguinte, o coletivo reunido em torno de Serpa, que também incluía nomes como Lygia Clark, Lygia Pape, Abraham Palatnik, Aluísio Carvão, Franz Weissmann e Rubem Ludolf, tornou-se formalmente o Frente. Integrante mais jovem do grupo, César participou de suas exposições de 1955 e 1956 e da 1ª Exposição Nacional de Arte Concreta, no MAM de São Paulo (1956), e no Ministério da Educação e Cultura (MEC), no Rio (1957).

Depois da dissolução do grupo, César se afastou por décadas do circuito artístico. Mudou-se para Manaus, trabalhando como arquiteto, e também dedicou-se à preservação da obra do irmão, após sua morte, em 1980.

Em 2024, César fez sua primeira individual após 50 anos, no Paço Imperial, no Centro do Rio, peças históricas e produções recentes, com curadoria de Paulo Venancio Filho. Em entrevista ao GLOBO, ele comentou sobre a liderança de Serpa, a quem chamava carinhosamente de "chefão":

"Ele chamava a gente um por um para apresentar o que tinha de novo, ficando na função de corrigir e, de alguma forma, moldar a nossa produção. Ele era espetacular".

O velório será realizado nesta quinta-feira (1º) na Capela 6 do Crematório Memorial do Carmo, no Caju, Zona Portuária do Rio, de 14h às 17h.