Curiosidades
Leticia Colin diz como deve ser a mocinha 2026, revela mensagem de Glória Pires que a 'chocou' e comenta cenas de nudez em 'Jogada de risco'
Em entrevista ao videocast 'Conversa vai, conversa vem', atriz afirma que sociedade precisa ter maturidade para falar sobre o gozo feminino.
Glória Pires enviou uma mensagem para Leticia Colin. O texto, vindo de uma mulher que encarnou o arquétipo da mocinha, deu uma espécie de autorização à protagonista da novela "Quem ama cuida". Em entrevista ao videocast "Conversa vai, conversa vem", no ar nos canais do GLOBO no Youtube e no Spotify, a intérprete da Adriana da novela das 21h revelou detalhes dessa história. Leia um trecho:
"Tem as mocinhas de Regina Duarte, de Glória Pires e agora a da Leticia Colin..."
Tenho muita gratidão e respeito por ela. Amo o trabalho da Glória Pires, da própria Regina, da Susana Vieira... Cresci vendo essas mulheres; são referências. Uma vez, Glória Pires me escreveu uma mensagem. Eu fazia a Vanessa de "Todas as flores". Ela disse: "Gosto muito do seu estilo". Aquilo me chocou, porque eu pensei: "Eu tenho um estilo? Assim, eu posso ter um estilo?" A Glória Pires está falando que eu tenho um estilo meu de atuar. E aí você vai se imbuindo dessas coisas e vai legitimando a sua intuição e o seu trabalho numa direção de alguma coisa que talvez não agrade a todo mundo, que talvez não seja certo... Eu erro muito. Com Adriana, inclusive... Falo, às vezes: "Ai, passou um pouquinho". Como se fosse aquela coisa do rádio, que vai sintonizando e, de repente, tira... Mas eu prefiro o exagero à mesmice. Acho que esse pacto com o erro… Porque ninguém vai errar como eu.
Thiago Lacerda: Mas sua mocinha, em pleno 2026, é moderna e humana...
É uma honra fazer parte dessa trajetória que se reinventa. O pau está comendo lá fora, a mocinha não pode pensar e agir da mesma maneira que em 1980. A gente fala de feminismo, transformação social, liberdade, sexualidade e justiça, é mais que justo que o estereótipo da mocinha se transforme. Gosto de pensar que ela pode ser como a Adriana, que sente raiva, se coloca, que pisa na bola, mas está no game. Quer o que é bom pra si e para os outros. Eu acredito nessa mocinha, não conseguiria fazer diferente disso.
Em ‘Jogada de risco’, série disponível no Globoplay, é Rita, uma ex-prostituta de luxo, personagem bem diferente de Adriana. Se preocupou em construir Rita de forma que não fosse julgada apenas pelo que atravessa o corpo dela?
Total, tentar trazer o máximo de complexidade. É importante inebriar o espectador de possibilidades, ainda mais falando sobre sexo, desejo. Não tem como querer que as coisas mudem, inclusive no nosso lugar de mulher na sociedade se não houver maturidade pra falar sobre o gozo feminino, libertação do nosso desejo, de viver nossas fantasias. Podemos ser adultos o suficiente pra lidar com isso, inclusive, com os corpos masculinos que aparecem bastante na série. Uma nudez que vemos bem menos do que a feminina. Escolha interessante da direção (assinada por Bruno Safadi). Temos que reconstruir o imaginário, e a ficção trabalha pra isso. Quando vemos uma cena, é como se ela passasse a existir no mundo. Se a gente consegue fazer uma cena como a da Rita tendo prazer, o mundo ganha, porque é uma mulher livre vivendo o desejo dela, sem culpa, moralismo, sem hipervalorização. Você vê ali um ser humano sem performar. Fomos muito bombardeados pela pornografia, essa performance do que é o ato sexual. Precisamos reconstruir essas imagens.
Por que a nudez ainda causa tanto?
A gente nega muito o corpo, o que nos adoece, envergonha, constrange. Temos que afirmá-lo. Quando a gente mostra, dentro de uma história pertinente, bem construída, com a criatividade a serviço de uma linguagem e bom gosto, temos uma coisa bonita. Para mim, não há diferença entre uma cena que mostra um seio ou uma lágrima. É o mesmo lugar de dedicação, exposição, construção de pensamento dramatúrgico e de entrega para o público. Porque o corpo é a emoção, a lágrima é o corpo. Trabalho assim, colocando tudo horizontalmente na mesma bandeja. Isso me ajuda a ter mais liberdade.
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