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Biografia de Tom Brady põe fim do casamento com Gisele Bündchen no centro de sua história: ‘Maior tropeço’

Revista americana analisa livro sobre o ex-jogador e questiona quanto a busca incessante por vitórias custou à vida pessoal do atleta

Agência O Globo - 25/09/2026
Biografia de Tom Brady põe fim do casamento com Gisele Bündchen no centro de sua história: ‘Maior tropeço’
Tom Brady põe fim do casamento com Gisele Bündchen no

Tom Brady, jogador mais vitorioso da história do Super Bowl, é protagonista de uma análise instigante na revista americana The New Yorker. O livro "Brady: an American Story and the Price of Greatness", escrito por Lars Anderson (ainda sem tradução no Brasil), foi resenhado pela jornalista Jennifer Wilson, que destaca que o divórcio do atleta foi seu maior “fumble” — termo utilizado no futebol americano quando um jogador deixa a bola escapar.

A provocação central da revista questiona: após tantas vitórias, é possível afirmar que Brady “ganhou tudo” se, ao longo do caminho, “deixou o relacionamento de 16 anos com Gisele Bündchen escapar”?

Essa análise vai além de apenas rotular o fim do casamento como uma “derrota”. A própria crítica chama atenção para uma inversão de narrativa, que por muito tempo foi aplicada principalmente às mulheres: a tendência de apresentar a vida amorosa como um fator que dilui as conquistas profissionais.

“Preciso confessar que senti certo prazer em ver um homem submetido à narrativa de que o fim de seu casamento é um momento que define sua vida, a história mais importante de sua trajetória. Se ele fosse uma mulher, este livro seria um best-seller de memórias”, observou a crítica.

A biografia acompanha Brady desde uma origem esportiva pouco promissora até o topo da NFL. Escolhido pelo New England Patriots apenas na 199ª posição do Draft de 2000, Brady entrou na liga cercado de dúvidas sobre seu potencial. Dois anos depois, tornou-se, à época, o quarterback mais jovem a conquistar um Super Bowl, encerrando sua carreira com sete títulos — seis pelos Patriots e um pelo Tampa Bay Buccaneers.

Foi já transformado em estrela do esporte que Brady conheceu Gisele. Segundo o relato resgatado pela The New Yorker, os dois se encontraram no fim de 2006 por meio de Ed Razek, então executivo de marketing da Victoria’s Secret. Ele teria descrito a brasileira para Brady como uma espécie de “versão feminina” do quarterback, por enxergar em ambos um grau semelhante de projeção e sucesso profissional.

Eles se casaram em 2009 e permaneceram juntos por 13 anos. O divórcio foi anunciado em 2022, após um período em que a continuidade de Brady no futebol passou a ser associada publicamente a tensões familiares.

O episódio mais emblemático ocorreu naquele mesmo ano. Brady anunciou que deixaria a NFL em fevereiro, mas voltou atrás apenas 40 dias depois, disputando mais uma temporada pelo Tampa Bay Buccaneers. Gisele já havia expressado, em anos anteriores, o desejo de que o marido encerrasse a carreira.

A The New Yorker interpreta esse comportamento como parte de um padrão mais amplo retratado na biografia: a dificuldade de Brady em abandonar a lógica da competição que o levou ao auge. O mesmo impulso que sustentou sua carreira extraordinariamente longa também acarretou custos fora do campo.

A publicação observa ainda que o casamento ajudou a ampliar a dimensão da celebridade de Brady. Ele já era um dos ícones do esporte americano; Gisele, por sua vez, figurava entre as modelos mais famosas e bem pagas do mundo. Juntos, tornaram-se um casal cuja fama transcendeu tanto o universo da moda quanto o do futebol americano.

A provocação mais interessante da resenha reside não em determinar se Brady “venceu” ou “perdeu” ao se divorciar, mas em discutir o preço culturalmente associado à ideia de grandeza — e o que ocorre quando a ambição capaz de gerar feitos excepcionais deixa pouco espaço para outras áreas da vida.