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De musa do funk a ex-vereadora, quem é Veronica Costa, a 'Mãe Loira', condenada por torturar ex-marido

Ex-vereadora teve cinco mandatos no Rio, ganhou projeção na Furacão 2000 e agora é procurada após ordem judicial de prisão

Agência O Globo - 24/09/2026
De musa do funk a ex-vereadora, quem é Veronica Costa, a 'Mãe Loira', condenada por torturar ex-marido
De musa do funk a ex-vereadora, quem é Veronica Costa, a 'Mãe Loira', condenada por torturar ex-marido - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Antes de ocupar por duas décadas uma cadeira na Câmara Municipal do Rio, Verônica Costa já era um rosto conhecido de quem acompanhava o funk carioca. A empresária, cantora e apresentadora ganhou fama como a "Mãe Loira do Funk" à frente de bailes e programas ligados à Furacão 2000. Nesta quinta-feira (24), seu nome passou a figurar no noticiário policial: a ex-vereadora é procurada após a Justiça determinar sua prisão por tortura contra o ex-marido, Márcio Costa.

Quem sai:

'Jesus chorou':

O mandado foi expedido pela 16ª Vara Criminal da Capital depois do trânsito em julgado do processo, contra a condenação. Agentes da Polícia Civil fizeram diligências em endereços ligados a Verônica, inclusive no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste do Rio, onde mora, mas não a localizaram. Ela é considerada foragida.

Da Furacão 2000 à política

Veronica Chaves de Carvalho Costa nasceu no Rio de Janeiro e cresceu na região de Tomás Coelho, na Zona Norte. Ainda adolescente, aos 16 anos, começou sua trajetória no universo do funk ao lado do empresário Rômulo Costa, com quem se casou e teve dois filhos, Jonathan e Jennifer. Na década de 1990, tornou-se uma das figuras associadas à Furacão 2000, apresentando bailes e programas de rádio e televisão ligados à equipe de som. Foi nesse período que o apelido de "Mãe Loira do Funk" se consolidou.

Depois do fim do relacionamento com Rômulo, em 2001, Verônica deixou a Furacão e criou sua própria equipe, a Glamourosa. A separação coincidiu com o começo de uma nova fase de sua vida pública. Eleita pela primeira vez em 2000, assumiu uma cadeira na Câmara Municipal no ano seguinte e iniciou uma longa trajetória na política carioca.

O histórico oficial da Câmara do Rio registra cinco mandatos de Verônica: de 2001 a 2004, de 2005 a 2008 e, depois de quatro anos fora da Casa, de 2013 a 2016, de 2017 a 2020 e de 2021 a 2024. Ao longo desse período, passou por diferentes legendas, entre elas PL, PMDB/MDB, PR, DEM e Republicanos — partido ao qual informou filiação em abril de 2024.

A ligação com o funk continuou sendo uma das marcas de sua atuação pública. Na Câmara, Verônica também se apresentou como defensora de pautas relacionadas à juventude e aos direitos das mulheres. Entre os postos que ocupou estão a presidência da Comissão de Prevenção às Drogas e a vice-presidência da Comissão de Defesa da Mulher.

A mistura entre a trajetória artística e a vida parlamentar também rendeu controvérsias. Em 2006, por exemplo, Verônica promoveu uma homenagem a 87 nomes do funk no plenário da Câmara. Parte dos homenageados era, à época, investigada pelo Ministério Público por suspeitas relacionadas a letras consideradas de apologia ao crime, o que provocou repercussão.

Áudios com Priscila Nocetti viralizaram

Outro episódio que atravessou os anos foi a rivalidade pública com Priscila Nocetti, que casou com Rômulo Costa, ex-marido de Verônica (o segundo esposo dela, Márcio Costa, não possui parentesco com o primeiro, apesar do mesmo sobrenome). Em 2016, as duas protagonizaram uma troca de farpas, por meio de áudios num grupo de WhatsApp ligado ao funk, depois que Verônica anunciou que faria uma parceria política com o ex-marido. As gravações vazaram e rapidamente se espalharam pela internet.

Nos áudios, Verônica e Priscila trocaram insultos e acusações pessoais — inclusive alegações não comprovadas sobre relacionamentos e supostas traições —, tendo Rômulo como um dos personagens centrais da discussão. Uma das respostas de Priscila começava com a frase "Eu tô rindo até 2050", que ajudou a transformar o bate-boca num "fenômeno" da internet. A discussão chegou a ganhar uma versão musicada em ritmo de funk.

A rivalidade acabou transbordando para a política. Na eleição municipal de 2016, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio determinou que Verônica e Priscila não utilizassem o nome uma da outra em suas respectivas campanhas. Quatro anos depois, ambas voltaram a disputar espaço na política municipal — a primeira, na capital fluminense; a segunda, em Niterói —, mantendo a antiga rusga como parte conhecida de suas histórias públicas.

Condenação por tortura

O caso que resultou na ordem de prisão desta semana começou em fevereiro de 2011, quando Márcio Costa, então marido de Verônica, denunciou-a. Segundo a acusação, ele foi mantido amarrado por horas, agredido e atingido por uma substância química que provocou lesões no corpo. Quatro parentes de Verônica também foram réus no processo.

Em primeira instância, em 2019, Verônica recebeu pena de cinco anos e dez meses. O Ministério Público recorreu e, em 2023, a 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio elevou a condenação para dez anos e oito meses de prisão, com cumprimento inicial em regime fechado. Os quatro corréus também tiveram penas fixadas ou ampliadas naquela ocasião.

Verônica sempre negou ter torturado Márcio. Depois da decisão de 2023, sua defesa afirmou que a condenação se baseava na versão do ex-marido sem, na avaliação dos advogados, suporte probatório suficiente, e anunciou que recorreria aos tribunais superiores. Esses recursos se encerraram e, com o trânsito em julgado, a Justiça determinou agora o cumprimento da prisão. Nesta quinta-feira, a ex-vereadora ainda não havia sido localizada pela Polícia Civil.