Curiosidades

Romance que virou fenômeno literário na França é acusado de ter sido escrito com inteligência artificial

Autor de 'C’était ça ou mourir', canadense Thélyson Orélien negou ter feito uso de uma máquina para escrever seu livro

Agência O Globo - 22/09/2026
Romance que virou fenômeno literário na França é acusado de ter sido escrito com inteligência artificial
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Após ser tratado como "fenômeno literário do ano" na França, o romance "C’était ça ou mourir" (Era isso ou morrer), do canadense de origem haitiana Thélyson Orélien, está sob suspeita. Na segunda-feira (21), a conta «Balance ton Claude» (uma referência ao modelo de IA da empresa americana Anthropic) acusou a obra de ter sido escrita inteiramente por inteligência artificial. Dedicado a desmascarar obras literárias escritas com geradores de texto de IA, o perfil anônimo se baseou no veredito da Pangramed, uma ferramenta de detecção automática de inteligência artificial, que teria analisado diversas passagens do texto.

Detetives de sofá:

IA na literatura:

Lançada em setembro, "C’était ça ou mourir" recebeu críticas elogiosas na imprensa francesa, vendeu 35 mil exemplares até o momento e figura nas listas de todas as premiações literárias mais importantes do país, incluindo o prestigioso Goncourt. Segundo o jornal Libération, o livro acompanha a trajetória de um personagem que deixa o Haiti após «o incêndio de seu bairro em 2021» com o objetivo de chegar ao Canadá.

Em entrevista ao Libération, o autor negou as acusações. "Não vejo por que teria recorrido a uma máquina", disse ele, acrescentando que teria sofrido diversos ataques racistas. Sua editora no Canadá, Editions du Boréal, afirmou ter total confiança em seu autor. A Agence France-Presse passou trechos da obra por seu próprio detector, que chegou à conclusão de que teriam sido "muito provavelmente escritos por um humano". De acordo com a AFP, outras sete ferramentas do tipo divergiram sobre a autoria do texto.

Criada em 2023, a ferramenta Pangram é considerada um dos mais confiáveis detectores de IA por especialistas (o que não significa, porém, que seja infalível). A empresa responsável pela tecnologia, que arrecadou 9 milhões de dólares nos últimos meses, afirma ter apenas um falso positivo a cada 24 mil documentos analisados.