Curiosidades
Jornalistas, escritores e artistas prestam homenagens após morte de Zuenir Ventura aos 95 anos: 'Um homem justo'
Ventura morreu nesta terça-feira, aos 95 anos; personalidades destacaram a trajetória do jornalista, sua contribuição para a memória do Brasil e a importância de sua obra
A morte de Zuenir Ventura, aos 95 anos, foi lamentada nas redes sociais por personalidades ligadas ao jornalismo, à literatura e à cultura. Entre as homenagens, Lilia Schwarcz, Marco Lucchesi, Mílton Jung e Fernanda Torres destacaram a trajetória do jornalista, sua importância para a memória brasileira e a relação que mantinham com ele.
A historiadora e antropóloga Lilia Schwarcz afirmou que o Brasil perdeu “um homem justo” e uma testemunha das transformações do país. Em publicação no Instagram, escreveu: “Hoje o Brasil perdeu um homem justo. Uma testemunha. Muitos jornalistas cobrem acontecimentos, Zuenir Ventura fez parte da própria memória que teremos deles”.
Lilia também relembrou a trajetória profissional de Zuenir, que passou por veículos como Correio da Manhã, O Cruzeiro, Visão, Veja, IstoÉ e Jornal do Brasil. Ela destacou ainda sua atuação como professor, repórter, editor, cronista e escritor, além da “curiosidade genuína” e da humanidade que, segundo ela, transpareciam no jornalista.
Homenagens destacam a obra
Ao falar sobre “1968 — O ano que não terminou”, publicado em 1988, Lilia afirmou que Zuenir foi além de uma cronologia dos acontecimentos daquele período e procurou as experiências das pessoas que viveram os fatos.
“Zuenir não escreveu simplesmente a cronologia fria de um ano. Foi atrás das pessoas, das lembranças, dos entusiasmos e dos medos de uma geração que viveu entre o desejo de transformar o mundo e a violência de uma ditadura”.
O escritor e poeta Marco Lucchesi também publicou uma homenagem ao jornalista. Em uma mensagem nas redes sociais, escreveu: “Sem palavras, tomado por uma grande dor, eu me despeço do meu querido Zuenir, o poeta da cidade partida e do ano que nunca termina dos afetos e das transformações. Solidariedade com a família e amigos”.
O jornalista Mílton Jung também lamentou a morte e ressaltou a influência de Zuenir no jornalismo brasileiro: "Dia muito triste: morre Zuenir Ventura, aos 95 anos, um mestre, um gênio, uma referência para os brasileiros e, em especial, para quem ama o jornalismo".
A atriz Fernanda Torres compartilhou uma foto feita por Andréia Sadi, na qual aparece ao lado do jornalista Jorge Bastos Moreno e de Zuenir. A mensagem foi acompanhada de uma homenagem à família do jornalista, especialmente à mulher do jornalista, Mary Ventura.
Na legenda, escreveu: “Foto que a Andréia Sadi tirou de mim, ao lado do grande Moreno e deste homem imenso chamado Zuenir. Meu amor e meus sentimentos para a Mary e toda a família.♥️”
O jornalista Nelson Motta também lamentou a morte de Zuenir Ventura nas redes sociais. Em uma publicação, ele relembrou a relação de amizade que começou em 1964, quando foi aluno de Zuenir na Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI), e atribuiu ao jornalista um papel importante em sua decisão de seguir a carreira jornalística. "Sua obra viverá para sempre e sua passagem pelo mundo espalhou generosidade e solidariedade por onde ele passou", escreveu.
Mais de duas décadas no GLOBO
Zuenir começou a escrever como colunista de O GLOBO na edição de 30 de janeiro de 1999. Na estreia, falou justamente sobre mudança e o desconforto provocado por transformações pessoais e profissionais:
“Não é a primeira vez que mudo de emprego, deve ser a décima, mas espero que seja a última. Agora, no que depender de mim, só saio desta para melhor. Não mudo mais nem de assunto. Mudança dá sempre um friozinho no estômago, mexe com nossas inseguranças e mobiliza nossas velhas incertezas. Por melhor que seja, ela não existe sem dor. Ah, é horrível”.
Ele começou no jornal com uma coluna semanal no Segundo Caderno e, posteriormente, passou a publicar duas crônicas por semana na editoria de Opinião. Ao longo dos anos, escreveu sobre costumes, política, futebol, violência, cultura, a cidade e experiências pessoais.
Na mesma estreia, Zuenir também refletiu sobre a relação entre mudança e inércia:
“Enquanto a mudança é transformadora, a inércia, por natureza, não leva a lugar nenhum, ou leva ao desastre. O Brasil, por exemplo, acaba de ir para o beleléu por não saber ou não ter tido a coragem de mudar na hora certa — de política, de economia ou de presidente”.
A carreira de Zuenir Ventura
Nascido em Além Paraíba, em Minas Gerais, Zuenir se mudou para o Rio de Janeiro em 1954. No início da carreira, trabalhou em Paris como correspondente da Tribuna da Imprensa, durante o período em que estava na capital francesa por causa de uma bolsa de estudos.
Depois de voltar ao Brasil, passou pelo Correio da Manhã, pela revista O Cruzeiro e pela chefia da sucursal carioca de Visão. Em 1977, assumiu a chefia da sucursal carioca de Veja.
Em 1969, escreveu para a Editora Abril a série “Os anos 60: A década que mudou tudo”, que posteriormente virou livro. Recebeu o Prêmio Esso por reportagens produzidas em conjunto com outros colegas sobre a morte de Cláudia Lessin e também por uma série sobre o assassinato de Chico Mendes. Este último trabalho lhe rendeu ainda o Prêmio Vladimir Herzog de Direitos Humanos.
Zuenir deixa a mulher, Mary Ventura, e os dois filhos do casal, o jornalista Mauro e a editora Elisa.
Mais lidas
-
1MÚSICA
Joelson dos Oito Baixos leva o forró pé-de-serra ao Giro das Tradições nesta terça-feira (22)
-
2POLÍTICA
Gilmar Mendes envia advogado de confiança para falar com Flávio Bolsonaro
-
3SEGURANÇA PÚBLICA
Homem apontado como integrante de 'Equipe Caos' do CV no Morro do Fubá morre em confronto com PMs
-
4CULTURA
Rick e Renner: dupla que atravessou quatro décadas e teve separações e polêmicas ao longo da carreira
-
5ECONOMIA
6 estratégias para humanizar a gestão e acelerar os resultados de vendas