Curiosidades
Primeiro show de Ed Sheeran após saída de Macklemore tem ingressos sobrando e protestos na porta
Apresentação em Filadélfia ocorre após artistas abandonarem turnê em solidariedade ao rapper; grupos pró-Palestina planejam manifestação do lado de fora do estádio
O cantor Ed Sheeran se apresenta neste sábado na Filadélfia, nos Estados Unidos, em meio a protestos contra a sua apresentação no Lincoln Financial Field, que é a primeira de Sheeran desde o início da crise e deve ocorrer sem artistas de abertura, depois que os demais optaram por se afastar.
Grupos pró-Palestina marcaram uma manifestação do lado de fora do estádio a partir das 16h30, no horário local (17h30 no horário de Brasília). A mobilização é organizada por, entre outros grupos, a Philly Palestine Coalition e pelo Shut Down D&Z. O show está previsto para começar às 20h.
A crise começou no início de setembro, quando Macklemore, que fazia os shows de abertura da turnê americana de Sheeran, fez discursos em apoio aos palestinos durante apresentações no MetLife Stadium, em Nova Jersey. Em um deles, o rapper pediu um "Free Palestine" (Liberdade à Palestina) e afirmou que queria que sua mensagem chegasse às pessoas em Gaza e na Cisjordânia ocupada.
Macklemore também apresentou "Hind's Hall", música de protesto lançada em 2024, enquanto imagens relacionadas à guerra em Gaza eram exibidas no telão. Após as apresentações, o Conselho Israel-Americano lançou uma petição pedindo a retirada do rapper da turnê.
Macklemore é retirado da turnê
O rapper acabou excluído das oito apresentações restantes que faria na etapa americana. Segundo a Messina Touring Group, promotora da turnê, os responsáveis pelos próximos estádios informaram que não permitiriam a realização dos shows caso Macklemore permanecesse na programação.
— Após discussões com as partes envolvidas, Macklemore não participará das próximas datas — afirmou a promotora, segundo o Guardian. A empresa disse que a permanência do rapper poderia levar ao cancelamento da turnê e afetar centenas de milhares de fãs.
Ed Sheeran afirmou que a decisão não foi dele. Em uma manifestação publicada nas redes sociais, o cantor disse estar "horrorizado" com o conflito entre Israel e Palestina e classificou o sofrimento de ambos os lados como uma tragédia humana. Ele também declarou que não pretendia transformar seus shows em espaços de disputa política.
A saída de Macklemore provocou uma reação em cadeia. Finneas, irmão e colaborador de Billie Eilish, Lukas Graham e Aaron Rowe estão entre os artistas que deixaram a programação. A banda irlandesa Beoga, que acompanhava Sheeran, também anunciou a saída.
Finneas, que faria seis apresentações com Sheeran na América do Sul, afirmou que artistas não deveriam ser silenciados quando se manifestam em defesa de pessoas que consideram oprimidas e declarou apoio à Palestina.
Protestos e reação em Gaza
A controvérsia também chegou a Gaza. Um artista palestino pintou um mural de Macklemore sobre os escombros de uma casa destruída em Gaza City. A obra mostra o rapper envolto em uma bandeira palestina e traz uma mensagem de agradecimento por ele ter usado sua voz em defesa da Palestina.
Macklemore, por sua vez, equivalente a cerca de R$ 5,3 milhões na cotação atual, de seus ganhos líquidos com a turnê a organizações de assistência e desenvolvimento palestinas. O rapper também manteve as declarações que provocaram sua retirada dos shows.
Sheeran e Robert Kraft, proprietário do New England Patriots e um dos empresários ligados aos estádios da turnê, também anunciaram doações de US$ 2 milhões, no total, para ajuda humanitária na região.
O show de Filadélfia acontece ainda sob impacto comercial da controvérsia. Segundo a Forbes, o preço do ingresso mais barato caiu de US$ 100 para US$ 51 na semana anterior à apresentação, uma redução de quase 50%. A disponibilidade de ingressos para revenda também aumentou.
Apesar da retirada dos artistas de abertura, Sheeran mantém a apresentação prevista para este sábado e deve subir ao palco sozinho. A turnê americana segue programada até novembro.
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