Curiosidades
Nos cem anos de seu nascimento, Marilyn Monroe se mantém como um ícone
Nascida em 1º de junho de 1926, estrela ganha mostras de filmes no MIS-SP e no Estação Net Gávea, e é lembrada para além do posto de maior sex symbol da História do cinema
Hoje, quando o mundo celebra o centenário de nascimento de Marilyn Monroe, são muitas as versões da atriz lembradas por fãs, cinéfilos ou, de modo mais amplo, qualquer pessoa impactada pela cultura pop do século XX. A estrela de sucessos do cinema como “Os homens preferem as loiras” (1953) e “Quanto mais quente melhor” (1959) — que é alvo de duas retrospectivas, em cartaz no Estação Net Gávea, no Rio, e no Museu da Imagem do Som (MIS) de São Paulo —, é reverenciada na mesma medida do sex symbol eternizado na cena do vestido levantado pelo vento do metrô em “O pecado mora ao lado” (1955), ou na interpretação irresistivelmente sedutora do “Parabéns pra você” para o presidente John Kennedy, em 1962.
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A celebridade sempre nos holofotes, amiga do escritor Truman Capote, casada com a estrela do beisebol Joe DiMaggio e o dramaturgo Arthur Miller, e imortalizada em telas por Andy Warhol — cuja serigrafia “Shot sage blue Marilyn” (1964), tornou-se a obra mais cara do século XX já leiloada, ao ser arrematada em 2022 por US$ 195 milhões —, hoje disputa a atenção com Norma Jeane Mortenson, como a estrela foi batizada antes de adotar o nome artístico, revelada ao público em biografias, documentários e programas de TV.
O fato de ser lembrada de tantos modos, acredita o professor e pesquisador de cinema Filippo Pitanga, está relacionado à própria complexidade de sua personalidade, que não ficou restrita à beleza ou ao estereótipo de dumb blonde que Hollywood tentou lhe impingir.
— A Marilyn chega ao auge em plena Era do Ouro de Hollywood, no final dos anos 1940 à década de 1950. Tinha o maior sex appeal da História do cinema, maior até que James Dean, antes dela. E ela sobreviveu ao star system da época, que alçava pessoas ao estrelato ao mesmo tempo em que sugava o máximo de cada um — observa Pitanga. — Ela se manteve no topo porque soube se desvincular daquele arquétipo, queria mais do que os papeis dos primeiros filmes. Era extremamente inteligente, lia muito, todo tipo de gênero. Estudou dramaturgia para preencher lacunas da sua formação, era muito exigente consigo mesmo.
O cineasta André Sturm, curador da “Mostra Marilyn Monroe — 100 anos”, em cartaz no MIS-SP até domingo — no Rio, a programação de “Quanto mais Marilyn melhor!” segue até depois de amanhã, no Estação Net Gávea —, selecionou obras menos conhecidas do grande público, como “Idade perigosa” (1947), com o primeiro papel com fala da atriz, e “Só a mulher peca” (1952), do lendário diretor Fritz Lang.
— A seleção destaca a Marilyn como uma atriz talentosa, para além da beleza e a sensualidade, com filmes de diferentes momentos da sua carreira. Ela não é apenas um ícone, ela é “o” ícone. Talvez a imagem do vestido branco voando sobre a grade do metrô seja a imagem mais célebre da história do cinema mundial. Qualquer pessoa que tenha alguma relação com a civilização ocidental do século XX identifica aquela imagem, a Marilyn Monroe — comenta Sturm, para quem não há celebridade atual comparável à fama conquistada pela atriz. — Os ídolos do passado tinham um impacto sobre o imaginário muito maior. Hoje as celebridades são mais efêmeras, uma pessoa muito famosa desaparece pouco tempo depois.
A atriz Danielle Winits interpretou a estrela duas vezes no teatro, em “Depois do amor — Um encontro com Marilyn Monroe” (último trabalho de Marília Pêra, que dirigia a peça e morreu no dia de sua pré-estreia nacional, em 5 de dezembro de 2015) e “Parabéns, Senhor Presidente” (2020). Para a atriz, Marilyn foi uma inspiração, por tentar lutar contra o lugar que lhe foi imposto por Hollywood e pela sociedade.
— Foram dois recortes de momentos da vida da Marilyn, sempre por um ponto de vista feminino. Pude me aprofundar no universo dela, entender que ela não foi só um ícone, mas também os caminhos que ela trilhou. Como foi uma mulher que foi foi à frente do seu tempo, buscando seu espaço fora da cultura patriarcal que percorreu toda a sua carreira. Ela não teve tempo de se livrar dessa carga, como muitas artistas podem fazer hoje — destaca Danielle, que apresentará o monólogo “Choque: procurando sinais de vida inteligente” no 34º Festival de Inverno de Garanhuns (PE), em julho. — O mito se sobrepôs a Norma Jeane, mas ela lutou para não encolher para caber nos lugares designados por outros, nos padrões estabelecidos.
Além da mostra de filmes, está em cartaz no MIS-SP a exposição “Marilyn: a última entrevista”, com fotos clicadas pelo fotojornalista Allan Grant, da revista Life, na casa da atriz em julho de 1962, poucos meses antes de sua morte, em 4 de agosto do mesmo ano, aos 36 anos. A instituição ainda oferece curso presencial e a exibição do documentário “Marilyn Monroe: o fim dos dias”. Outros centros culturais pelo mundo, como a National Portrait Gallery, em Londres, e a Academy Museum of Motion Pictures, em Los Angeles, também programam exposições sobre a atriz.
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