Curiosidades
Deborah Colker relata recuperação do marido Toni Platão após AVC e fala sobre perdas e intolerância
Artista, que perdeu o neto para uma doença rara, também reforça a luta contra o preconceito: 'O preconceito é contagioso'
A coreógrafa Deborah Colker exatamente detalhes sobre o processo de recuperação do marido, o cantor e compositor Toni Platão, que sofreu um AVC em 2024. Em entrevista ao videocast do GLOBO, disponível no YouTube e no Spotify, Deborah revelou avanços importantes na reabilitação do companheiro, de 63 anos, que também enfrentou o luto pela perda do neto do casal, Theo, aos 16 anos, vítima de epidermólise bolhosa, uma doença rara. Confira trechos da entrevista:
Theo, que teve tantas dificuldades na vida, foi uma grande inspiração na recuperação de Toni. Como ele tem lidado com a perda?
Toni se sentiu muito. É atéeu. Quando comecei a mexer na minha cabeça, passei a pedir a ajuda dele. É das maiores inteligências que conheço. Intelectual e de percepção, de olhar pra vida. Traz a sabedoria de ser um cara alegre. Ele está lutando, aprendendo a andar, a falar, a cantar. Deprime, entristece. Teve melhorou muito. Vamos ver como isso se encaixa nessa realidade sem o Theo. Saí do Brasil pedindo a quem estava perto pra tirar as fotos do Theo de toda a prateleira da nossa cama. Ele não deixou. Agora, começa a mexer. Significa que você está lidando com isso. Temos Alice, Rafael (outros netos). Quantas vezes estou com o Toni no quarto com eles, começo a chorar e ele diz: “Para, olha as crianças”. Theo estava muito preocupado com os irmãos.
Você queria com garras essas duas batalhas. Qual é o limite entre lutar e aceitar?
Sempre tive dificuldade em aceitar. Cada vez mais, entendo que aceitar faz parte da luta. Se não, você fica cego, se acha onipotente. E, aí, quando não consegue, é pesado. Com Theo e o que aconteceu com o Toni, tinha a sensação de estar em guerra. Tenho que perceber que não perdi, não fracassei. É muito importante! Enquanto o ser humano não percebe que com ele também vai acontecer, que somos vulneráveis, que mesmo sendo super-herói, tem a kriptonita...
Você se tornou uma voz feroz contra o preconceito. Como pretende dar continuidade a esse legado de amor e de luta que a existência de Theo impõe em sua vida?
É um caminho sem volta. Aprendendo com os raros, os especiais, os únicos, os indivíduos. É onde consigo um caminho evolutivo. Tem que respeitar a dor do outro, respeitar as pessoas como elas são, suas condições. Todo mundo tem que ter um lugar no mundo, bacana, digno. O que vou fazer em relação ao EP eu não sei, mas algo virá. Fui completamente contaminado por essa nova percepção da vida. O preconceito, a intolerância, a estupidez são contagiosos, extremamente perigosos. Tenho pânico.
Diante da morte prematura, qual a importância de viver o agora?
Tem que ver a parte cheia do copo. Clara falou para mim: “Você precisa encontrar oxigênio”. Vamos ressignificar o momento, pessoas, afetos que estão aí, o trabalho. Tem gente que fala: “Ah, depois eu vou, depois eu faço”. Depois? Depois quando? Depois, já era!
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