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Morre Julio Le Parc, mestre argentino da arte cinética, aos 97 anos

Artista era representado, no Brasil, pela galerista Nara Roesler e tinha grande exposição sobre sua obra agendada na Tate Modern de Londres, em junho

Agência O Globo - 30/05/2026
Morre Julio Le Parc, mestre argentino da arte cinética, aos 97 anos
Julio Le Parc - Foto: Reprodução / Instagram

Julio Le Parc, artista plástico argentino, morreu aos 97 anos. Nascido em 1928, em Mendoza, na Argentina, foi reconhecido internacionalmente como um dos principais nomes da arte cinética. Ao longo de seis décadas, realizou experiências inovadoras com luz, movimento e cor, buscando promover novas relações entre arte e sociedade a partir de uma perspectiva utópica.

Suas telas, esculturas e instalações abordam questões relativas aos limites da pintura a partir de procedimentos que se aproximam da tradição pictórica na história da arte, como o uso de acrílico sobre tela, ao mesmo tempo que investigam potencialidades cinéticas em instalações que exploram o movimento real e a atuação da luz no espaço.

Desde 2001, o argentino era representado no Brasil pela galerista Nara Roesler. A Tate Modern, em Londres, já havia agendado uma grande exposição panorâmica de sua obra, batizada de "Julio Le Parc: Light. Colour. Action.", que abre no próximo dia 11, e vai até 3 de maio de 2027.

Trajetória

Pioneiro do gênero óptico e cinético, Julio Le Parc foi co-fundador do Groupe de Recherche d'Art Visuel (1960-1968), um coletivo de artistas que se propunha a criar a interação do público com a obra, a fim de aprimorar suas capacidades de percepção e ação.

De acordo com essas premissas, somadas à aspiração bastante divulgada na época de uma arte desmaterializada, independente das demandas do mercado, o grupo se apresenta em locais alternativos e até na rua.

As obras e instalações de Julio Le Parc, feitas com nada além da interação entre luz e sombra, são resultado direto desse contexto, no qual a produção de uma arte fugaz e não vendável assumia claro tom sociopolítico.

Em 2001, inicia-se uma parceria entre Julio Le Parc e a Nara Roesler, que oficializa sua presença no cenário artístico brasileiro. Desde então, ele participou de importantes exposições nacionais e internacionais, como 'Luz e movimento', na Pinacoteca do Estado de São Paulo, no Brasil, e 'Transmissions: Art in Eastern Europe and Latin America', 1960-1980, no Museum of Modern Art (MoMA), nos EUA.

Além disso, sua obra figura em diversas coleções ao redor do mundo, como no Musée National d'Art Moderne Georges Pompidou, em Paris, França; no Museum of ContemporaryArt Chicago, em Chicago, nos EUA; e na Tate Gallery, em Londres, Inglaterra.