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Há 66 anos, cantor de ópera morria no palco em Nova York segundos após cantar sobre a própria morte

Em 1960, Leonard Warren desmaiou em teatro durante apresentação de La forza del destino

Agência O Globo - 05/03/2026
Há 66 anos, cantor de ópera morria no palco em Nova York segundos após cantar sobre a própria morte
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Há 66 anos, a noite de 4 de março de 1960 permanece como um dos episódios mais marcantes e trágicos da história da ópera. Na ocasião, o barítono americano Leonard Warren morreu no palco do Metropolitan Opera House, em Nova York, durante uma apresentação lotada de La forza del destino, de Giuseppe Verdi.

A cena dramática aconteceu diante de milhares de espectadores. No terceiro ato da ópera, Warren interpretou a frase “Morrer, uma coisa terrível” antes de iniciar a ária Urna fatale. Após ser aplaudido, ele permaneceu imóvel por alguns segundos, virou-se para o lado do palco e caiu abruptamente. O maestro Thomas Schippers interrompeu a orquestra enquanto colegas e médicos tentavam prestar socorro.

Testemunhas relataram que o barítono Roald Reitan se aproximou do colega, que ainda conseguiu pronunciar uma única palavra — “Socorro!” — antes de perder a consciência. Apesar dos esforços de reanimação, Warren não resistiu.

Uma noite que marcou a história da ópera

De acordo com relatos da época, a morte de Warren foi causada por uma hemorragia cerebral súbita. O crítico Raymond A. Ericson, presente na plateia, descreveu o episódio como um dos momentos mais dramáticos já vividos no Metropolitan. Mais de três mil pessoas testemunharam a tragédia.

O episódio também reforçou a aura de superstição que envolve La forza del destino. Desde sua estreia conturbada, em 1862, artistas e companhias relatam infortúnios ligados à obra. Décadas mais tarde, o tenor Luciano Pavarotti chegou a cancelar uma montagem da ópera no próprio Met, alimentando ainda mais a fama de azar.

Filho de imigrantes russos e nascido no Bronx, Warren — cujo sobrenome original era Warrenoff — construiu uma carreira sólida no teatro nova-iorquino após estudar na Juilliard School. Tornou-se um dos maiores barítonos do século XX, especialmente em papéis de Verdi, como Rigoletto, Il trovatore e Simon Boccanegra.

Aos 48 anos, Leonard Warren estava no auge da carreira quando morreu diante da plateia. O episódio ganhou manchetes internacionais e marcou de forma permanente a história do Metropolitan Opera House, um dos palcos mais renomados do mundo.

Décadas depois, a lembrança daquela noite ainda ecoa entre músicos e críticos. Cada nova montagem da ópera carrega, de alguma forma, o peso do momento em que o público ouviu a palavra “morrer” e, segundos depois, viu o teatro mergulhar em silêncio absoluto.