Curiosidades
Árvores, diamantes e até hortas: o que acontece com as cinzas de artistas como Mamonas, Preta Gil e Rita Lee
Projeto em Guarulhos que homenageia integrantes dos Mamonas Assassinas mostra caminhos escolhidos após a cremação e lembra despedidas marcantes ligadas a Preta Gil, Rita Lee e Jô Soares
A exumação dos integrantes da banda Mamonas Assassinas, realizada nesta segunda-feira (23) em Guarulhos, na Grande São Paulo, marca o início de um memorial incomum: parte dos restos mortais será cremada e usada no plantio de árvores. A homenagem ocorre às vésperas dos 30 anos do acidente aéreo que matou o grupo, em 2 de março de 1996, e ilustra uma prática que vem ganhando espaço como forma simbólica de preservar a memória de pessoas conhecidas do público.
Diamantes e cinzas na horta
No projeto desenvolvido em parceria com o BioParque Cemitério de Guarulhos, uma pequena porção das cinzas de cada músico será misturada ao solo para dar origem a cinco árvores, uma para cada integrante. O espaço será aberto à visitação e funcionará como um memorial vivo para os fãs.
Como funciona a transformação das cinzas em árvores
O processo começa com a escolha da espécie que irá representar a pessoa homenageada. Após a cremação, parte das cinzas é depositada em uma urna biodegradável junto à semente selecionada. Com o tempo, o material se integra ao solo e contribui para o crescimento da planta.
A germinação pode ser acompanhada digitalmente e, quando a muda estiver pronta, ela será plantada em um espaço definitivo do memorial. No caso dos Mamonas, cada árvore terá identificação e um totem com QR Code reunindo fotos, vídeos e relatos sobre os músicos.
A proposta busca transformar o local em um ponto de memória coletiva, mantendo também os túmulos já existentes. As sepulturas continuarão abertas à visitação enquanto o novo espaço passa a representar um símbolo de continuidade.
Cinzas de Preta Gil, Rita Lee e Jô Soares
A ideia de dar novos destinos às cinzas não é exclusiva da banda. Após a morte de Preta Gil, no mês passado, parte do material foi destinada a familiares e amigos, que poderão escolher diferentes homenagens. Uma porção permanecerá no columbário do Crematório e Cemitério da Penitência, no Rio, enquanto outras devem ser espalhadas em locais afetivos na Bahia ou até transformadas em diamante.
Entre artistas brasileiros, decisões semelhantes têm se tornado frequentes. As cinzas de Rita Lee foram mantidas em um altar montado por Roberto de Carvalho na casa da família, com a intenção de futuramente serem levadas ao jardim. Já parte das cinzas de Jô Soares também foi transformada em diamante, segundo relato da ex-mulher do apresentador.
No caso do humorista Paulo Gustavo, as cinzas foram espalhadas por familiares e amigos no parque Little Island, em Nova York, em uma cerimônia reservada. A prática, cada vez mais diversificada, revela como rituais funerários vêm sendo reinterpretados para criar formas mais pessoais de lembrança.
Com o memorial em Guarulhos, a expectativa é que o espaço dedicado aos Mamonas Assassinas se torne não apenas um local de visitação, mas também um símbolo dessa mudança na maneira de homenagear quem marcou a cultura popular brasileira.
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