Curiosidades
Michel Alcoforado, autor de 'Coisa de rico', estreia coluna e newsletter no GLOBO
Antropólogo publica aos sábados no Segundo Caderno; versão por e-mail chega às sextas com conteúdo extra — saiba como se inscrever
Passando a virada do ano em Salvador, Michel Alcoforado percebeu uma novidade marcante na paisagem da capital baiana. No Pelourinho, no Rio Vermelho, no circuito Barra-Ondina: em todos os cantos, o mesmo vestido, estampado com desenhos que remetiam a azulejos portugueses. “De onde veio isso?”, questionava-se o antropólogo, supondo inicialmente tratar-se de um modelo de alguma loja local. Uma busca rápida no Google Lens, a partir da foto de uma usuária, esclareceu: o vestido era da Shopee. E mais — já era tema de vídeos virais, com pessoas animadas por adquirir a peça ou frustradas ao encontrar alguém usando o mesmo modelo.
Histórias como essa serão a base da coluna semanal que Michel estreia no GLOBO. Autor do best-seller "Coisa de rico", palestrante, consultor e comentarista da rádio CBN, ele passa a escrever para o Segundo Caderno a partir deste sábado. A versão em newsletter será enviada sempre às sextas-feiras, trazendo conteúdo extra aos assinantes.
Observador do cotidiano
— Já vivo com um bloco de notas em mãos, caçando temas para as colunas — revela Michel, por telefone, ainda em Salvador. — Meu objetivo é mostrar como acontecimentos cotidianos abrem espaço para enxergarmos a vida sob outra perspectiva. Minhas viagens pelo Brasil e pelo mundo certamente vão render muito material.
Michel já tinha uma rotina de viagens pelo país devido ao Grupo Consumoteca, consultoria de negócios da qual é sócio e diretor. Mas o último ano foi ainda mais intenso, impulsionado pelo sucesso de "Coisa de rico", livro de não ficção mais vendido no Brasil em 2025. Com 110 mil exemplares vendidos, a obra transforma suas pesquisas sobre as elites brasileiras em narrativas repletas de detalhes reveladores.
Antecipando uma pergunta frequente, Michel esclarece: ainda não ficou rico. E acrescenta:
— Inclusive, para lidar com o furacão gerado pelo livro, passei a gastar mais. Dobrei as sessões de análise e as idas à mãe de santo.
De olho na rua
Nascido em Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, Michel conta que sua família teria dormido mais tranquila se ele tivesse optado por ser jornalista ou advogado. Mas não teve jeito: lembra-se de, aos 15 anos, ver o antropólogo Roberto DaMatta na televisão, identificar-se com as ideias do autor de "A casa e a rua" e decidir seguir seus passos.
Desde o início, Michel direcionou sua pesquisa para a análise do cotidiano — olhar para o que todos veem e enxergar algo diferente.
— As questões triviais do dia a dia são uma brecha para entender a cultura, para captar o espírito do tempo. Uma roda de samba no Jockey Club é um cenário riquíssimo para análise. Interessa-me muito a tensão entre exótico e familiar: perceber como elementos que julgamos ser dos outros estão em nós, e vice-versa.
Por fim, ele define a proposta dos textos que irá publicar no GLOBO:
— Quero trazer um termômetro de para onde caminha o Brasil cotidiano. Não vou tratar do noticiário em si. Só me interessa o soluço do Bolsonaro se ele estiver na boca do fulano no boteco. Só me interessa o Trump se virar música de carnaval. O Labubu me interessa quando sai da bolsa das famosas para chegar à Saara e à 25 de Março. O que busco é traduzir a cultura brasileira.
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