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Fernanda Montenegro completa 97 anos: confira 12 trabalhos da atriz após os 90

Ícone da dramaturgia brasileira faz aniversário nesta sexta-feira e está em plena atividade artística

Agência O Globo - 16/10/2026
Fernanda Montenegro completa 97 anos: confira 12 trabalhos da atriz após os 90
Fernanda Montenegro - Foto: Reprodução / internet

Fernanda Montenegro completa 97 anos nesta sexta-feira. Perto de se tornar centenária, ela é uma das melhores atrizes brasileiras de todos os tempos e está em plena atividade artística. A mãe de Fernanda Torres é dona de um Emmy Internacional, pelo seu protagonismo em "Doce de Mãe", de 2013, e de uma indicação ao Oscar de melhor atriz, pela atuação no filme "Central do Brasil", de 1998, além de ser imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL) desde 2021. A artista é consagrada mundialmente, tendo ganhado um Globo de Ouro na última edição da premiação por sua longevidade no cinema. A tamanha dedicação nas telonas, e na arte como um todo, pode ser observada pela quantidade de trabalhos feitos por ela lançados após os seus 90 anos: só de 2019 para cá, foram, ao menos, 12 atuações.

'A vida invisível'

Lançado em 2019, logo após de Fernanda Montenegro completar 90 anos, "A vida invisível" conta os desafios de Eurídice Gusmão, interpretada pela atriz na fase idosa, e de sua irmã Guida (Julia Stockler) frente ao patriarcado nos anos 50. A personagem da imortal da ABL é musicista e vive um casamento frustrado, que a expõe constantemente ao machismo. O longa acompanha o desenrolar da vida frustrada e cheia de oportunidades perdidas de Gusmão. Dirigido por Karim Ainuoz, a obra foi uma das apostas brasileiras para a corrida ao Oscar de 2020, mas não chegou a receber indicação.

'O juízo'

Em 'O Juízo', Fernanda pode estrelar um filme escrito por sua filha, Fernanda Torres. Montenegro tem uma pequena participação no longa dirigido por Andrucha Waddington. O filme de 2019 é focado na trama de Augusto Menezes (Felipe Camargo), que se muda para uma fazenda com sua família, onde passa a ser assombrado por espíritos escravizados por seus antepassados. A mãe de Torres interpreta Marta Amarantes, uma mulher ligada ao espiritismo, que transita no lado sobrenatural da trama.

'Amor e Sorte'

Produzida durante a pandemia de Covid-19, a série 'Amor e Sorte' aborda os dilemas rotineiros de relacionamentos durante o isolamento social, a partir de quatro histórias diferentes. No episódio “Lúcia e Gilda”, gravado em uma fazenda de Petrópolis onde a família da imortal da ABL passava a quarentena, Lúcia (Fernanda Torres) arrasta a mãe Gilda (Fernanda Montenegro) para a serra e a obriga a ficar confinada. Além de atuar com sua filha, Fernanda também esteve ao lado do neto Joaquim Waddington na obra de Jorge Furtado.

Documentários lançados em 2020

Saindo do universo ficcional de "Amor e Sorte", Fernanda participou de dois documentários lançados em 2020, onde atuou como ela mesma. A atriz esteve em "Babenco: Alguém Tem Que Ouvir o Coração e Dizer: Parou", filme de Bárbara Paz dedicado ao cineasta Hector Babenco, e em "AmarElo: É Tudo Pra Ontem", do cantor Emicida, que explora o álbum "AmarElo" e a ascensão da música negra no Brasil.

"Nelson Rodrigues por ele mesmo"

Em 2022, aos 96 anos, Fernanda voltou aos palcos de teatro após a pandemia de Covid-19. A atriz organizou e costurou leituras dramáticas baseadas na obra “Nelson Rodrigues por ele mesmo” de Sônia Rodrigues, que une a visão do dramaturgo sobre sua vida e sua obra. O espetáculo esteve em cartaz no Rio de Janeiro naquele ano e chegou a voltar aos palcos em 2026.

'A cerimônia do adeus'

Com formato semelhante ao espetáculo sobre Nelson Rodrigues, "A cerimônia do adeus" aborda a visão libertária de Simone de Beauvoir sobre o feminismo, além de sua ligação de vida com o filósofo Jean-Paul Sartre. A atriz se aproximou da escritora feminista aos 20 anos e manteve uma forte ligação com a sua obra ao longo de sua vida, de maneira que, em 2023, ela decidiu levar essa conexão para os palcos naquele ano. A peça também estreou no Rio de Janeiro.

'Tributo - Fernanda Montenegro'

Em 2024, um documentário do Globoplay reconheceu a longeva e bem-sucedida carreira de Fernanda Montenegro. No "Tributo - Fernanda Montenegro", a atriz abriu as portas de sua casa e relembrou, ao lado de Fernanda Torres, histórias marcantes, que vão desde produções mais modestas até sua indicação ao Oscar em 1999.

'Ainda estou aqui'

Primeiro filme brasileiro a conquistar um Oscar, "Ainda estou aqui" é baseado no livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva, que conta a trama de Eunice Paiva e sua família após o desaparecimento do engenheiro e ex-deputado federal Rubens Paiva durante a ditadura militar. Na obra de Walter Salles, lançada em 2024, Fernanda Montenegro e Fernanda Torres dividem o mesmo papel. A filha, que levou um Globo de Ouro por sua atuação no longa, interpretou Eunice na fase adulta, enquanto a mãe deu vida à esposa de Rubens na velhice.

'Vitória'

No ano seguinte, Montenegro voltou às telonas para ser protagonista de outro sucesso brasileiro. Em "Vitória", a atriz dá vida à protagonista Dona Vitória, uma senhora solitária que se revolta com a violência e com o tráfico na favela em frente ao seu apartamento e passa a filmar as movimentações criminosas para denunciá-las. O longa-metragem de Andrucha Waddington é inspirado em uma história real, revelada por meio de uma reportagem do jornalista Fábio Gusmão, publicada no EXTRA, em 2005.

'Velhos bandidos'

Em março deste ano, Fernanda deixou de lado o drama e abriu espaço para o humor em "Velhos Bandidos". No filme de Cláudio Torres, ela interpreta Marta, uma personagem trambiqueira que, ao lado do marido Rodolfo (Ary Fontoura), planeja um ousado assalto a banco. Para realizar o roubo perfeito, eles se unem a uma dupla de jovens assaltantes, Nancy (Bruna Marquezine) e Sid (Vladimir Brichta). A nova equipe de ladrões, no entanto, não contava com a insistência de Oswaldo (Lázaro Ramos), um obstinado investigador que segue seus passos.

'Emergência 53'

Fernanda é incansável na dramaturgia e parece estar longe de se aposentar. Em agosto deste ano, saiu a sua última atuação: em "Emergência 53", a atriz interpreta Dona Laura, uma divertida senhora obcecada com seu próprio fim. Mesmo com a saúde debilitada, Laura bebe e fuma cigarros, escondida de sua filha, Irene (Yara de Novaes), que é chefe da unidade 53, uma emergência hospitalar movimentada.