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Luiza Brunet critica indenização de R$ 150 mil por agressões e recebe apoio de famosas

Modelo usou as redes sociais para questionar a eficácia da condenação diante do patrimônio do agressor; Luana Piovani e mais famosas se manifestaram

Agência O Globo - 13/10/2026
Luiza Brunet critica indenização de R$ 150 mil por agressões e recebe apoio de famosas
Luiza Brunet - Foto: Reprodução / Instagram

Luiza Brunet usou as redes sociais para criticar o valor da indenização por danos morais que deverá receber após a condenação judicial de seu ex-companheiro, o empresário Lírio Parisotto, condenado em uma ação cível pelas agressões cometidas contra ela em 2016. A Justiça fixou a reparação em R$ 150 mil, quantia considerada insuficiente pela modelo diante da capacidade financeira do empresário. O desabafo recebeu manifestações de apoio de famosas como Luana Piovani, Rachel Sheherazade, Lúcia Veríssimo e Maria Cândida.

“Qual é a eficácia de uma condenação que praticamente não afeta o patrimônio de quem praticou uma violência tão grave?”, questionou.

A modelo ressaltou que nenhuma quantia é capaz de apagar as consequências físicas e emocionais de uma agressão. Ela também relatou o desgaste provocado pelos anos de batalha judicial, além da exposição pública e dos ataques à sua imagem.

“Não se trata de colocar preço na dor. Nenhum dinheiro apaga uma agressão, devolve a tranquilidade perdida ou repara integralmente as marcas físicas e emocionais deixadas pela violência. Trata-se de compreender que uma indenização precisa ter significado também para quem é condenado. Quando seu valor é insignificante diante da capacidade econômica do agressor, sua eficácia como instrumento de responsabilização e prevenção fica comprometida”, escreveu.

Luiza afirmou ainda que pretende continuar buscando uma reparação que considere adequada à gravidade do caso. Segundo ela, a experiência contribuiu para fortalecer seu compromisso com a defesa dos direitos das mulheres.

“Apesar de tudo, transformei parte dessa dor em propósito. Passei a dedicar minha voz, meu trabalho e minha visibilidade à defesa dos direitos das mulheres. Encontrei, na minha própria história, uma razão ainda maior para lutar por tantas outras”, declarou.

As agressões ocorreram em maio de 2016, em Nova York. Na ocasião, Luiza sofreu quatro fraturas nas costelas e hematomas no rosto e no corpo. A condenação criminal de Parisotto pelo episódio se tornou definitiva em fevereiro de 2021.

Na esfera cível, a decisão da 36ª Vara Cível do Foro Central de São Paulo, assinada em outubro de 2026, estabeleceu o pagamento de R$ 150 mil por danos morais. O juiz considerou a gravidade das lesões, o sofrimento físico e psicológico da modelo, a repercussão pública do caso e a capacidade financeira do empresário ao fixar a quantia.

Luiza também pediu indenização por danos materiais e lucros cessantes, relativos a possíveis prejuízos financeiros e rendimentos que teria deixado de receber após as agressões. Esses pedidos, porém, foram rejeitados por falta de comprovação suficiente de que a redução de sua renda tivesse sido provocada diretamente pelo episódio. A decisão cível ainda pode ser contestada por recurso.

Ao comentar a sentença, a modelo defendeu que a definição das indenizações leve em conta tanto a gravidade da violência e a extensão dos danos quanto a realidade econômica de quem foi condenado.

“Porque uma condenação que pesa profundamente na vida de uma vítima não pode ser apenas uma despesa irrelevante na vida de seu agressor. A violência contra a mulher precisa ter consequências reais. E nenhuma mulher deveria precisar lutar por tantos anos para ser ouvida, respeitada e reparada”, afirmou.

Nos comentários da publicação, Luana Piovani elogiou o posicionamento da modelo e lamentou o desfecho da ação.

“Irretocável o seu texto. Lamento pela injusta condenação, mas aplaudo suas palavras e, mais que isso, celebro e me inspiro nas suas atitudes”, escreveu a atriz.

A jornalista Rachel Sheherazade também criticou o valor da indenização e argumentou que uma reparação financeira não deve ser tão baixa a ponto de comprometer o efeito da responsabilização. “Se por um lado a indenização não tem por objetivo causar o enriquecimento da vítima, por outro lado não pode ser tão irrisória a ponto de virar um convite à reincidência, pois soa como impunidade”, comentou ela, que também criticou o que considera uma postura leniente da Justiça em casos de violência contra a mulher: “Infelizmente, nossa Justiça ainda é majoritariamente masculina e corporativa”.

Lúcia Veríssimo, por sua vez, lamentou que a reparação não tenha correspondido às expectativas da amiga, mas ressaltou a importância do reconhecimento judicial e do trabalho desenvolvido por Luiza em defesa de outras mulheres.

“Você fez do limão a limonada em dedicar seu caminhar a ajudar tantas vozes sem condições”, escreveu a atriz.

Maria Cândida também demonstrou solidariedade à modelo. “Estamos com você. Infelizmente ainda é assim e temos um caminho pela frente”, comentou.