Cultura Pop

Feira Literária do Oeste do Rio termina com debate sobre cultura periférica e homenagem a Dias Gomes

Quinta edição da FLOR reuniu jovens de escolas públicas, artistas e intelectuais em Santa Cruz

Agência O Globo - 20/09/2026
Feira Literária do Oeste do Rio termina com debate sobre cultura periférica e homenagem a Dias Gomes
Feira Literária do Oeste do Rio termina com debate sobre cultura periférica e homenagem a Dias Gomes - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A quinta edição da Feira Literária do Oeste do Rio (FLOR) encerrou-se neste sábado, em Santa Cruz, após quatro dias repletos de debates, música, teatro e oficinas que reuniram artistas, intelectuais, professores e, principalmente, jovens, na sua maioria alunos de escolas públicas. O homenageado deste ano foi o escritor e dramaturgo Dias Gomes, autor de obras como “O Bem-Amado”, “Roque Santeiro”, “Saramandaia” e “O Pagador de Promessas”.

No último dia, a cultura periférica foi o assunto central na mesa “Hip-hop: A rima, o livro e a luta”, que contou com a participação do MC DK-47, o slamer Ocotta e a escritora Tamiris Coutinho. Pesquisadora do funk e atualmente doutoranda pela Uerj, Tamiris compartilhou que sofreu ataques de ódio devido ao título de seu livro, “Cai de boca na b...”.

“Uso o funk como instrumento para impulsionar debates importantes”, explicou.

O líder comunitário e artista DK-47 destacou a conexão entre a produção do hip-hop e a realidade das comunidades:

“Quem faz apologia é o governo. O rapper apenas retrata o que vê todo dia em sua comunidade: esgoto a céu aberto, boca de fumo, violência, abandono”.

Por sua vez, Ocotta ressaltou como a arte pode ampliar os horizontes de quem vive na periferia.

“A arte me levou a lugares em que eu não sabia que poderia ir”, afirmou o atual campeão carioca de slam e único representante do estado a vencer uma disputa nacional na categoria.

Dias Gomes e a Zona Oeste

A homenagem a Dias Gomes também foi destaque na exposição “Cenários de Sucupira”, apresentada desde a abertura da feira. Com curadoria de João Coutinho, de 24 anos, a mostra reuniu imagens capturadas por alunos da ONG no casarão que serviu como cenário para a fictícia prefeitura de Sucupira, de “O Bem-Amado”.

“Mostramos que enquanto há lugares preservados, como o casarão que abriga, há outros completamente deteriorados, como alguns locais em Sepetiba”, contou João.

A programação da feira também destacou as histórias e memórias dos moradores da região. Na oficina “Ecomuseu Convida: Que história você tem para contar?”, crianças foram orientadas pela professora Cimara Mattos.

“É sempre assim nas oficinas. Mesmo usando a imaginação, a realidade deles vem surgindo”, afirmou a professora Cimara.

Em outra mesa, “Herança de lugar - Sepetiba e o território como legado”, o ator e escritor Ernesto Xavier e a atriz Luana Xavier abordaram as referências de infância e adolescência em Sepetiba.

“A gente precisa lembrar de onde veio, do barro que é feito”, destacou Luana.

Para o curador da FLOR, Francisco Jorge, a atenção aos jovens é um dos fatores que explicam o crescimento do evento.

“Estamos consolidando o evento na cena cultural da Zona Oeste e caminhando para firmá-lo na cena do Rio. Nosso acerto é investir na formação de plateia e na escuta, para saber o que realmente interessa ao público”, afirmou.

Além dos debates, a programação incluiu apresentações musicais, dança, teatro e oficinas de mídias sociais, drone, fotografia e robótica. O grupo da Oficina de Teatro Ser Cidadão também apresentou “O Bem-Amado”.