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Flávia Alessandra abre o jogo sobre casamento, família e vaidade: ‘Faço procedimentos no rosto e no corpo’

No ar em ‘Quem ama cuida’, atriz lista suas inspirações para viver Fábia: ‘Ela é uma esposa-troféu’

Agência O Globo - 31/05/2026
Flávia Alessandra abre o jogo sobre casamento, família e vaidade: ‘Faço procedimentos no rosto e no corpo’
Flávia Alessandra - Foto: Reprodução / Instagram

Entre a despedida de Sandra, a vilã com tintas transmitidas de “Êta mundo melhor!”, e o primeiro dia de trabalho em “Quem ama cuida”, Flávia Alessandra teve apenas uma semana para trocar de personagem. O intervalo curto não impediu que a atriz imprimisse identidade própria à exuberante Fábia, figura que já se destacou na novela das nove nas poucas cenas em que apareceu até então. Vinda de uma família tradicional que perdeu a grana, ela foi criada para cumprir um destino considerado ideal em seu mundo: encontrar um marido rico. Ao lado de Ulisses (Alexandre Borges), eleito não apenas estabilidade financeira, mas também o apoio emocional de que você precisa. Foi ele, inclusive, quem nasceu na criação de Felipe (Pietro Antonelli), filho dela.

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A mudança de registro entre as duas novelas evidencia uma característica que acompanha Flávia ao longo da carreira: a capacidade de transitar entre perfis distintos. No ar há duas semanas, Fábia já revelou seus traços marcantes. Vaidosa e expansiva, ela é definida pela própria atriz como uma “esposa-troféu”.

— Tive um pouco de tempo entre um trabalho e outro. E não aguentaria já começar numa velocidade muito frenética, confesso. Então, criamos recursos que ajudamssem a apresentar Fábia de cara. Eu tinha algumas cenas para mostrar quem ela é... Entendemos, desde o início, que um personagem tem um traço oral forte. Por isso, logo apareceu com um pirulito na boca. E vai mascar chiclete, tomar água no copo térmico, estar sempre com alguma coisa na boca. Ela integra um núcleo que lida com compulsões. As dela são compras e essa compulsão oral. Tudo ali gira em torno do desejo. O marido tem compulsão por jogo... — detalhes Flávia.

No visual, uma das inspirações foi as Kardashians, o clã das celebridades norte-americanas conhecidas pela fortuna e pelo estilo de vida extravagante. Por isso, Fábia aparece com cabelos impecáveis, olhos bem marcados e lábios volumosos — ou “bocão”, como brinca a própria atriz.

— Já falei: “Gente, a Flávia botou boca para o personagem!” — diverte-se ela, que explica o truque: — É maquiagem. Uso um contorno por fora dos lábios para criar a impressão de volume maior.

Enquanto posa para as fotos desta edição com tons neutros, em cena ela veste uma cartela oposta: cores intensas e combinações que não passam nada despercebidas.

— Trouxemos muita cor para ela. É uma mulher solar, que não trabalha fora, cuida da família e do lar. Ela treina muito, tem uma preocupação constante com o corpo e já surge usando roupas de academia. Tudo isso faz parte da construção de Fábia — conta a atriz, em conversa de uma hora com o Canal, logo após um dia de gravação.

A obsessão pela aparência, reforça Flávia, é um dos pilares da personagem. Os procedimentos estéticos fazem parte de sua rotina com a mesma naturalidade de quem sai de casa para tomar um café com uma amiga. Em uma das cenas, Fábia já arrastou Dora (Mariana Ximenes) para o consultório do dermatologista Rafael (João Vitor Silva).

— Uma agulhadinha de botox é como se fosse a endorfina do dia. Existe um lado mais narcísico. Mas Fábia é uma caixinha de Pandora... Tem aspectos sombrios e tortos que vão aparecer mais pra frente. Mas também é uma mulher que quer festa, diversão.

Sócia de uma clínica voltada para procedimentos estéticos na vida real, Flávia admite que recorre à tecnologia para cuidar da aparência, mas estabelece limites claros para si mesma:

— Procedimentos faciais no corpo, no rosto, hidratação profunda... Tudo com a intenção de envelhecer bem. Não quero voltar no tempo. Ainda não fiz nada mais brusco porque quero preservar meus traços. Não sou contra, apenas não sinto necessidade. E espero não perder essa medida.

Elogiada nas redes sociais pelos braços torneados, a atriz passou a treinar mais os membros superiores por conta do desfile no carnaval retrasado.

— Mudei meu foco, porque mulher treina muito as pernas e um pouco os braços e as costas. Sempre malhei de duas a três vezes por semana, a vida inteira. Não malho todo dia e como de tudo: adoro uma fritura, um salgadinho, um chope. Mas a base da minha alimentação é comida saudável — garantido.

Às vésperas de completar 52 anos, no dia 7 de junho, a atriz ainda afirma que a nova personagem trouxe uma leveza que contrastou com a intensidade da vila que foi apresentada anteriormente. Se Sandra projeta mergulhos em emoções mais densas, Fábia parece produzir o efeito oposto:

— Hoje, levo esse alto-astral dela para casa. Com Sandra, chegava-me sentindo doce, sem energia. Eu voltei completamente descarregado.

Se, na ficção, Fábia encontrou em Ulisses o “combo perfeito”, definição usada pela própria atriz para resumir o marido rico, protetor e apaixonado, Flávia diz que a personagem não quer perder essa segurança de forma nenhuma.

— Se Uli fosse duro, não sei se ela o amaria. Ela é meio daquelas que querem agarrar um milionário (risos). Existem até perfis nas redes sociais dedicadas a isso, ensinando quais lugares frequentar e como encontrar homens ricos — observe.

Na vida real, o casamento com Otaviano Costa, que completou duas décadas agora em 2026, está longe dos contos de fadas:

— Brinco que vamos completar 20 anos, mas psicologicamente são 48 (risos). Não é fácil. Não é um casamento dos sonhos, não é 100% em tudo. O que existe é a decisão de permanecermos juntos.

Para ela, o que há de mais precioso na relação com o marido é uma admiração mútua.

— Isso é fundamental para manter as chamas acesas. A chama do tesão, a da parceria, a da cumplicidade... — enumera Flávia, mãe de Giulia Costa, de 26 anos, da relação com o diretor Marcos Paulo, e de Olívia, de 15, do casamento com Otaviano.

Com a filha mais velha, ela apresenta o podcast Pé no Sofá Pod, em que recebe convidados e conversam sobre diversos assuntos sem filtros. Giulia, por exemplo, revelou ter enfrentado bulimia no início da juventude, transtorno alimentar desencadeado após viver um relacionamento abusivo.

— Conheço as histórias dela, temos uma porta aberta de confiança. O podcast acaba sendo um divã para nós duas. Ela não mora mais comigo, e hoje em dia é raro mãe e filha se sentarem para conversar por duas horas seguidas, como fazemos ali — observa.

Caçula de três irmãos, Flávia divide com eles os cuidados com os pais, Rachel, de 78 anos, e Hélio, de 90. Nas redes sociais, a atriz já refletiu sobre a inversão de papéis que ocorre quando os filhos passam a cuidar daqueles que antes cuidavam deles. Para ela, longe de ser um peso, esse momento representa um privilégio.

— É uma vitória! Somos a geração de sanduíche, que cuida dos filhos e dos pais ao mesmo tempo. Meus pais estão casados ​​há 58 anos, moram sozinhos. A gente queria que fosse um cuidador, mas eles ainda não aceitaram. O meu pai está no oitavo marcapasso, o primeiro ele botou aos 44 — revela.

A reflexão dialoga diretamente com o título da novela. Fora da ficção, Flávia tem a certeza de que amar também é cuidar.

Ficha técnica:

Texto: Zean Bravo

Fotos: Felipe Censi 

Cabelo: Marcos Proença 

Fabricante: Bela Felix 

Estilista: Gi Macedo