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Denúncia de maus-tratos e fraudes envolve macaco Katu, que participou de filme de Ingrid Guimarães

A empresária Camila Sayuri acusa o adestrador André Poloni, amigo do biólogo Henrique Abrahão, de maus-tratos ao animal

Agência O Globo - 01/05/2026
Denúncia de maus-tratos e fraudes envolve macaco Katu, que participou de filme de Ingrid Guimarães
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A participação de um macaco no filme “Perrengue Fashion” (2025), estrelado por Ingrid Guimarães, virou caso na Justiça de São Paulo, que investiga suspeitas de maus-tratos e possíveis fraudes na documentação do animal. A polêmica envolve o adestrador André Poloni, conhecido nas redes sociais por vídeos treinando animais, e a empresária Camila Sayuri, de Barretos (SP), tutora do macaco Katu, de 9 anos.

Segundo ela, há provas de irregularidades no manejo do animal por parte do adestrador. Camila afirma ter documentos que comprovariam que André fraudou registros do macaco Katu para levá-lo ao set de gravação. "É uma série de barbaridades", diz ela, que possui um documento de produção do filme no qual afirma que o animal que aparece no longo não seria Katu, mas outro macaco pertencente a Poloni.

Um vídeo postado nas redes sociais mostra o macaco Katu com Ingrid Guimarães nos bastidores da gravação. Inclusive, a atriz chama o animal pelo nome.

"E esses vídeos gravados no set? Você vê que é o mesmo macaco, não tem como discutir. O André Poloni pegou o documento de um macaco dele que tava legalizado e na hora de gravar levou o macaco Katu. Ele cometeu uma fraude. É gravíssimo você gravar com um animal silvestre com um documento falsificado.", diz Camila.

Além disso, ela acusa o adestrador de maus-tratos ao animal.

"Recebi denuncia de que ele não deixou alimentação adequada, nem água adequada. Alimentação era uma vez por dia, sendo que o macaco vem oito vezes por dia. E além disso, ele dava Danone para o macaco e vendia curso ensinando pessoas a darem Danone, e isso é um superproblema."

O macaco Katu foi comprado por Camila e sua então companheira, Aline, em 2017. Na época, ao chamar o adestrador André Poloni para uma consultoria, elas descobriram que a nota fiscal do animal era falsa.

Camila e sua esposa buscaram, então, regularizar a situação junto à Ambiental, que emitiram a elas um documento de fidelidade depositário. O registro indicava que os animais eram provenientes de origem irregular, mas, por já estarem adaptados, permaneceriam sob a responsabilidade deles.

Em 2020, o casal decidiu levar os macacos para adestramento com Poloni, que ficou com o animal por cinco anos.

"O macaco foi para ficar com o adestrador por quatro meses, e ele não fez o que tinha que ser feito e pediu para ficar mais um tempo. Nesse meio tempo eu e Aline nos separamos, e eu continuei visitando o macaco e cheguei até a montar um viveiro para trazê-lo de volta. Minha ex então fez um documento doando o macaco para mim. E o adestrador começou a colocar empecilhos para eu ir buscá-lo, dizendo que iria ficar com o macaco, que o Ambiental iria levá-lo...", conta Camila.

Segundo a empresária, ao tentar recuperar o animal, em novembro do ano passado, foi informado por Poloni que ele havia decidido devolver os macacos ao Meio Ambiente e que não os entregaria a ela.

Diante do impasse, a empresária criou um perfil para o macaco Katu no Instagram, que hoje reúne quase 90 mil seguidores, para relatar o caso. A repercussão teria levado ao surgimento de denúncias de funcionários que, segundo ela, apontam que o adestrador lucrava com o animal, além de submetê-lo a maus-tratos.

Desde então, Camila afirma que vem participando tanto nas redes sociais quanto na Justiça. Ela entrou com um processo contra o Estado de São Paulo solicitando a devolução do animal, que informou que o macaco Katu foi enviado ao Instituto Imbio.

A Justiça determinou a retirada do animal do local e sua transferência para o Centro de Triagem e Recuperação de Animais Silvestres (Cetras), em São Paulo, mas não autorizou que ele retornasse à empresária, citando como agravante o uso comercial do macaco.

"Ela ultimamente que eu tive uma culpa concorrente, que isso só aconteceu porque eu levei o macaco no adestrador. Se eu não tivesse levado, ele jamais participaria do filme."

Além disso, a empresária afirma que o adestrador realizava eventos com o animal, cobrando ingressos para apresentações em que o macaco, por exemplo, andaria de bicicleta.

Camila contou que chegou a pedir ajuda ao biólogo e defensor da causa animal Henrique Abrahão Charles, famoso na internet com mais de 3 milhões de seguidores, mas que ele teria se recusado a ajudar-la por ser amigo do adestrador.

"Ele me disse que se tivesse que ficar do lado de alguém, ficaria do lado do amigo. Ele é um cara que salva animais, porque não salva os animais do próprio amigo dele?", questiona a empresária, que encaminhou ao EXTRA um áudio recebido por Henrique após denunciar o caso, e no qual ele afirma: "Ele é meu amigo. Conheço ele pessoalmente. Não vou tomar esse partido, e se eu tiver que ficar de um lado, vou ficar do lado do meu amigo".

Camila tenta recuperar o bando do macaco Katu na Justiça e conseguiu um laudo veterinário com uma análise técnica sobre as condições do animal. Após reunir tentativas por cinco meses, ela pretende levar a denúncia ao Ministério Público.

"Quem protege não tem medo de expor. O bem estar do Katu está em jogo e a única coisa que queremos é trazer de volta para casa e dar uma qualidade de vida que ele somente vai encontrar em sua tutora no qual possui vínculo afeio e amor", diz ela.

O EXTRA entrou em contato com o adestrador André Poloni, mas ainda não obteve resposta.

Assista ao vídeo do macaco Katu nos bastidores do filme com Ingrui Guimarães:

Veja o adestrador com o macaco:

Camila Sayuri luta para ter o macaco de volta: