Cultura Pop
Globoplay lança seu 100° documentário, detalhando as corroídas engrenagens da segurança pública no Brasil
'Territórios — Sob o domínio do crime' traz imagens de câmeras corporais, de caveirões e de drones e entrevistas com parentes de vítimas da violência, autoridades e especialistas
A tinta vermelha da pichação contrasta com a cinza da carcaça de carro incendiada, usada como barricada. Lê-se: “Organize seu ódio”. Mais adiante, um grafite colorido no muro avisa: “Deus é o dono do lugar”. Imagens de caixas corporais e de equipamentos instalados em caveirões transmitem a tensão da guerra entre policiais e bandidos em meio a diálogos desesperados e barulhos de tiros e granadas. Drones de monitoramento da polícia captam as altas imagens do resgate de um delegado baleado. Essas são cenas do primeiro episódio de “Territórios — Sob o domínio do crime”, documentário que chega ao Globoplay nesta quinta-feira (30), abordando o tema da segurança pública no Brasil.
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— No documentário, temos a oportunidade de contar as histórias reais do jornalismo sem a urgência do dia a dia, mergulhando nos temas com maior profundidade e ambição. Em “Territórios”, falamos sobre uma das maiores preocupações da população brasileira hoje: estamos sob o domínio do crime. Nossa equipe mostra a história das facções de quem viu, quem acompanha, quem consegue analisar essas evidências — explica Fátima Baptista, produtora executiva da série e gerente de Inovação e Projetos Especiais da Globo.
O primeiro episódio acompanha a Operação Contenção, das polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro, nos Complexos do Alemão e da Penha, em outubro de 2025. O segundo aprofunda a análise sobre a corrida armamentista e o papel dos fuzis na dominação territorial das facções no Brasil e na intensificação da violência urbana. Já o terceiro destaca o sistema prisional como berço e sustentação das grandes facções: Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC).
Editor executivo do EXTRA, Fábio Gusmão conta a história do presídio Bangu 1 e a criação do Escritório do Crime. Em 2002, como repórter da Polícia, ele teve acesso ao Estatuto do Crime, após uma coligação entre as duas facções, e publicou uma série de reportagens a respeito do poder paralelo. Ainda no terceiro episódio, o espectador assistiu a uma entrevista revelada com Fernandinho Beira-Mar, um dos líderes do tráfico, preso há mais de 20 anos.
— A entrevista foi pedida a advogados de defesa e autorizada pela Justiça e pela Secretaria Nacional de Administração Penitenciária. Consideramos fundamental ouvir todos que têm informações sobre como chegamos ao ponto atual de insegurança. Fernandinho Beira-Mar fez parte tanto da construção do crime organizado no país quanto da atual situação que vivemos — conta Marcio Sternick, produtor executivo da série e diretor de Jornalismo da Globo no Rio de Janeiro.
O documento mostra ainda como o crime organizado ultrapassou fronteiras, com infiltração em terras indígenas e na economia legal. O surgimento das milícias e a transformação do controle territorial em negócio é um dos destaques. No sexto episódio, a relação entre crime e política é o foco.
— O avanço do crime não se restringe ao Rio ou a São Paulo. É fundamental que a sociedade compreenda a gravidade do determinado, reconheça as fragilidades no enfrentamento do problema e se disponha a discuti-lo. Nosso objetivo sempre foi provocar um debate avançado — diz Gustavo Gomes, diretor da série.
Os números de 'Territórios — Sob o domínio do crime'
Este é o 100º documentário lançado pelo Globoplay
A obra mobilizou 29 jornalistas em sua feitura
Foram 27 cidades percorridas em 7 estados brasileiros, além do Distrito Federal
Outros 3 países da América Latina (Colômbia, Peru e Paraguai) passaram no roteiro
No total, foram feitas 110 entrevistas com parentes de vítimas de violência, autoridades de segurança pública e especialistas
Moradora do Complexo da Penha, após a Operação Contenção, em outubro de 2025, em depoimento ao documentário:
“Começou às 6h30 da manhã. meus biscoitos, procuraram cigarro, ficaram de deboche. E na Zona Sul é: 'por favor', 'obrigado', 'entra, senhora'.
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