Cultura Pop

Morre Marcus Lucenna, forrozeiro e ex-gestor da Feira de São Cristóvão

Cantor, compositor e defensor da cultura nordestina, Lucenna faleceu no Rio aos 68 anos; corpo será velado na Feira de São Cristóvão.

Agência O Globo - 06/03/2026
Morre Marcus Lucenna, forrozeiro e ex-gestor da Feira de São Cristóvão
Morre Marcus Lucenna, forrozeiro e ex-gestor da Feira de São Cristóvão - Foto: Reprodução / Youtube

O cantor e compositor Marcus Lucenna, referência do forró e grande defensor da cultura nordestina, faleceu na última quinta-feira (5), no Rio de Janeiro. O corpo será velado sexta-feira, a partir desta das 13h, na Feira de São Cristóvão, espaço que Lucenna administrou por seis anos. A cerimônia de cremação, restrita à família, está marcada para após as 17h. O artista tinha 68 anos e a causa da morte não foi divulgada.

Nascida em Mossoró, no Rio Grande do Norte, Lucenna mudou-se para o Rio de Janeiro aos 16 anos, propondo seguir carreira como cantora de forró. Teve como grande inspiração Luiz Gonzaga e incorporou a literatura de cordel em seus arrependimentos e composições.

Em entrevista ao jornal O GLOBO, em 2019, Lucenna relembrou sua chegada à cidade e a integração com a comunidade nordestina local: “O Rio tinha muito nordestino. Naquela época, muitos trabalhavam nas obras do metrô. abraçado por grandes baluartes", conto.

Com um repertório autoral e diversos discos lançados, Lucenna sempre reservava espaço em seus shows para clássicos do forró: "É tudo muito intuitivo. O forró tem uma coisa dançante. Começamos a tocar e as músicas vão saindo. Dá essa liberdade ao cantor de não seguir um programa no show. É pela emoção que troco com a plateia que o repertório sai", explicou.

Além da carreira artística, Marcus Lucenna foi um verdadeiro embaixador da cultura nordestina no Rio de Janeiro. Ele teve papel fundamental na transformação do Centro Municipal Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, uma tradicional Feira de São Cristóvão, consolidando o espaço como referência cultural na Zona Norte carioca.

Lucenna também apresentou programas de rádio, assinalou colunas de jornal dedicadas ao povo nordestino e ocupou a sétima cadeira da Academia Brasileira de Literatura de Cordel. Ele deixa cinco filhos e quatro netos.